terça-feira, 23 de dezembro de 2014

“HOJE NASCEU PARA VÓS UM SALVADOR, QUE É O MESSIAS, O SENHOR!”

NATAL DO SENHOR
Missa da Noite
24 de dezembro de 2014

Leituras

         Isaias 9,1-6. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz
         Salmo 95/96,1-3.11-13. Dia após dia anunciai sua salvação.
         Tito 2,11-14. A graça de Deus se manifestou para todos os homens.
         Lucas 2,1-14: Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura.


Leituras 

         Isaias 9,1-6. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz
         Salmo 95/96,1-3.11-13. Dia após dia anunciai sua salvação.
         Tito 2,11-14. A graça de Deus se manifestou para todos os homens.
         Lucas 2,1-14: Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura.
 Que bom estarmos reunidos neste instante em torno do Mistério do Deus pobre no meio dos pobres. Sentimos este Deus bem pertinho de nós, bem do nosso jeito, menos no pecado. Valeu a pena termos nos preparado para esta noite.

Durante o Tempo do Advento, meditamos a Palavra de Deus, avaliamos nossa caminhada de discípulos e discípulas missionários do Senhor rumo ao futuro, penitenciando-nos de nossas falhas, fizemos nossa novena de Natal, buscamos aperfeiçoar nosso espírito de solidariedade. Feliz de quem aproveitou bem o tempo do Advento para viver esta noite, de fato, como uma “noite feliz”.

A Palavra proclamada nos transmite esta Boa-Nova. A Eucaristia celebrada faz-nos viver em Mistério. “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por ele amados!”

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA
Primeira leitura – Isaias 9,1-6. O texto é uma das profecias messiânicas mais famosas do profeta Isaias e faz parte do assim chamado “Livro de Emanuel” (Isaias 7,12). A vocação de Isaias aconteceu no ano 740 antes de Cristo, quando os pequenos reinos, entre eles os Estados de Israel e Judá, estavam ameaçados pela expansão do Império Assírio. No meio da ameaça e da desgraça iminente, Deus faz surgir o profeta Isaias. Quando tudo parece levar ao desespero, aparece o profeta anunciando luz para quem vivia nas trevas. Nasce nova esperança para o povo de Israel, oprimido pelos assírios. Deus vai agir. Ele virá para salvar e haverá novamente a alegria para todo o povo. A esperança encontra-se na chegada de um novo rei, um menino que recebe títulos messiânicos: Conselheiro admirável (na linha da sabedoria de Salomão); Deus forte (na linha da bravura de Davi) Pai dos tempos futuros e Príncipe da paz (seguindo Moisés e os patriarcas).

Depois dessas afirmações o profeta desenvolve em três “porquês” (versículos 3, 4 e 5) os motivos da alegria. Juntos eles explicam como o profeta no seu tempo conseguiu ver a salvação divina e como ele imaginara o futuro rei de Deus.
Primeiro porque (versículo 3): terminou a dominação estrangeira. Como no passado, “na jornada de Madian” (cf. Juízes capítulos 7-8), Deus intervirá de novo em favor de seu povo. A intervenção de Deus no passado é o penhor da intervenção futura. A vitória está garantida. No “perfeito profético” Isaias declara o inimigo já por derrotado.

Segundo porque (versículo 4): terminou a guerra. Todo sinal de luta armada, tudo que lembra guerra, derramamento de sangue e forças armadas em marcha, desaparecerá do palco da história. Todo equipamento de guerra é jogado de lado para sempre, não serve mais (cf. 2,4).

Terceiro porque (versículo 5-6): nasceu-nos um menino que, uma vez entronizado como rei, nos trará paz e justiça.

Salmo responsorial 95/96,1-3.11-13.  Com o Salmo 95/96, resposta à Palavra de Deus, mesmo sendo um salmo de realeza, é também um hino de louvor. Israel tem por ofício louvar a Deus, e com este louvor leva todos os povos a conhecer a Deus. A eleição de Israel é missionária, seu louvor é testemunho. A ação criadora demonstra o poder de Deus.

O rosto de Deus no salmo. O Senhor sempre merece um canto novo porque é Criador, libertador universal. Canto novo, a todo momento porque a sua Criação não é coisa do passado, ela se renova em cada ser humano, animal e planta que nasce. A Criação também se renova através do nosso trabalho. Além de Criador, Deus é Libertador universal, (as “maravilhas” do versículo 3b recordam a saída do Egito) e, sobretudo, o Rei universal O seu governo e administração se caracterizam pela retidão,(versículo 10b), justiça e fidelidade (13b). O Senhor é um aliado da humanidade, soberano do universo e da história. Devemos proclamar isto, desmascarando tudo o que pretende ocupar o lugar de Deus. A criação inteira é convidada a festejar nosso Deus que sempre vem!

O tema da realeza de Jesus está presente em todos os evangelhos. Mateus mostra que Jesus traz uma nova prática da justiça para todos, e isso faz acontecer o reinado de Deus na história. Os contatos de Jesus com os não judeus demonstram que seu Reino não tem fronteiras e que seu projeto é o de um mundo cheio de vida para todos.

Por Ele, bendizemos nosso Deus e nos alegremos. Expressemos também nossa confiança, pois sabemos que Ele virá “julgar a terra inteira” e seu julgamento será justo. Cantemos ao Senhor nosso Deus porque Ele se revela na humanidade de Jesus e se faz presente em nossas vidas.

R: RESPLANDECEU A LUZ SOBRE NÓS,
     PORQUE NASCEU CRISTO, O SALVADOR.

Segunda leitura – Tito 2,11-14. O nascimento de Jesus de Nazaré marca o início da era cristã, isto é, da era messiânica. A partir dele a história de salvação iniciada no Primeiro Testamento desenrola-se entre duas grandes manifestações. A primeira é a “manifestação da graça de Deus que traz a salvação a todas as pessoas” (versículo 11). A segunda é a “manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (versículo 13), por ocasião da segunda vinda.
Conforme a leitura de hoje, a graça de Deus não traz somente o perdão dos pecados já cometidos que, depois de repetidos, serão de novo perdoados, e assim por diante... “para que haja abundância da graça” (cf. Romanos 6,1). O que Deus quer não é uma “repetição do perdão”... e tudo fica como era; mas uma verdadeira história de salvação que renove a face da terra. Deus quer libertar as pessoas do pecado e de suas conseqüências (versículo 11). Como Deus quer alcançar isso? Por meio dos cristãos, “ensinando ou educando-os pela graça” (versículo 12a) e fazendo deles um “povo puro, que pertence somente a Ele, e que se dedica a fazer o bem” (versículo 14b).

“A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação pra toda a humanidade”. Escrevendo a Tito, Paulo dá uma série de conselhos para ele coordenar bem a comunidade de Creta que lhe foi confiada. Na leitura que vamos ouvir nesta noite, Paulo apresenta o fato fundamental da vida e missão de Tito e de todos os cristãos. A leitura propõe o ideal de viver com equilíbrio, justiça e piedade. Essas são três qualidades a serem cultivadas por todo aquele que deseja conhecer a salvação e se tornar participante da obra salvadora do Pai. Com equilíbrio significa, provavelmente, compreender que as desigualdades sociais não podem mais persistir.

Vivendo em meio a uma sociedade corrupta, os cristãos são convocados a viver a novidade do Evangelho de Jesus Cristo. Por um lado é necessário romper com as atitudes e paixões do mundo, modo de viver contrário ao que Deus nos revelou no Messias; por outro lado somos convocados a viver no “tempo presente com equilíbrio, moderação, justiça e piedade à espera da bem-aventurada esperança” – a manifestação gloriosa de Jesus Cristo, que se entregou totalmente para nos resgatar e purificar.

O discípulo e a discípula de Jesus vivem nessa tensão: romper com a impiedade e viver a justiça. Ser cristão é dedicar-se à prática do bem, atualizando as ações libertadoras do Salvador.

Evangelho – Lucas 2,1-14.  Lucas não somente narra o acontecimento do nascimento de Jesus como historiador, mas também como teólogo manifestando seu sentido salvador. Por isso coloca este fato no pano de fundo da história geral, referindo-se ai imperador César Augusto e ao governador Quirino. Também nos informa o lugar onde Jesus nasceu, a saber: “em Belém, a cidade de Davi” (versículos 4 e 11). Por esta informação situa-se o fato dentro da história da salvação: Jesus, o Messias, é o novo Davi. 

O Messias Jesus não nasceu no centro do Império Romano, que era a cidade de Roma, nem nos palácios dos poderosos, mas em um canto muito afastado do império e em um abrigo de gado. Os primeiros homens a quem foi revelada a vinda do Salvador não foram altos funcionários do governo, nem autoridades religiosas, nem ricos e poderosos representantes da alta sociedade, mas simples pastores. Eles eram pessoas marginalizadas pela sociedade da época. 
Os fatos são narrados de maneira bem simples: o trajeto de José e Maria para Belém e o nascimento de Jesus na pobreza. A tradição, que narra esses fatos, faz questão de exaltar o “maravilhoso”: a aparição dos anjos, o tema da glória divina que anuncia os últimos tempos e, especialmente, a realização das profecias do profeta Miquéias.

A primeira dessas profecias (Miquéias 3,1-4) inspira Lucas 2,6.8.9.14 e mostra que Cristo é, de fato, o rei davídico esperado. A segunda profecia (Miquéias 4,7-10) influencia Lucas 2,4.8.11, onde a realeza anunciada não é mais somente a de Davi, mas a realeza do próprio Deus. Percebe-se o desejo do evangelista Lucas de anunciar um acontecimento tão divino quanto humano: a própria realeza de Deus, ultrapassando-a, responderá à expectativa judaica de uma realeza davídica. Devemos ver nesta narração a oposição que se manifesta na narrativa entre a comunidade dos pobres de Belém e a cidade de Jerusalém. Surge Maria como a nova “filha de Sião” (Miquéias 4,10; 5,2) e os pobres que a cercam são envoltos daquela “glória” que era, até então, o privilégio da antiga Sião (Ezequiel 40,35).

O pequeno hino “Glória...” consiste em duas frases paralelas. As três partes destas frases correspondem uma à outra. A “glória” corresponde “paz”; a “no mais alto dos céus” corresponde “na terra”; a “Deus” corresponde “homens”. As duas frases não devem ser entendidas como desejos humanos (“louvado seja Deus, etc.”; “a paz esteja com os homens...”), mas como afirmações. O hino é um anúncio do sentido salvador do nascimento do Messias. Deus é glorificado no céu porque, agindo no mundo, revela aos anjos um Mistério de Sua glória até então desconhecido. Este Mistério consiste na entrada na história do mundo do “príncipe da paz”, que revela aos anjos que a humanidade é atingida pela salvação. O hino é, portanto, a Boa-Nova ou o Evangelho, proclamado pelos Coros Celestes e motivo de alegria para todo mo povo (versículo 10b).

O toque pessoal de Lucas faz-se notar, principalmente, na escolha de um vocabulário pascal (salvador, primogênito, Senhor). A criança já é o Senhor universal, sua pobreza é a da cruz, e a frase com que Lucas diz que “Maria guardava todas essas coisas no coração” (cf. ainda Lucas 2,51) exprime exatamente, que Maria considera os acontecimentos de Belém como sinais proféticos de um mistério mais profundo: o Mistério Pascal. 

Se não fosse a Páscoa, o Natal não seria o que é: tão importante para os cristãos. Nem mesmo Maria seria o que é: tão importante para a humanidade como Mãe do Salvador e nossa Mãe.

São Lucas nos ajuda a passar do fato ao Mistério, da história à doutrina que exorta. A reflexão da comunidade primitiva e a de São Lucas concentram-se no caráter humano, senhorial e divino do recém-nascido de Belém. Convida-nos a manter, com firmeza, a nossa fé nas duas naturezas do Homem-Deus. A festa do Natal foi precisamente instaurada para lutar contra as heresias que alteravam a personalidade de Cristo e pretendiam reduzir Cristo a uma pessoa humana, o Evangelho a um sistema humanístico, a Igreja a uma instituição humana, política ou social. Ou então consideravam apenas a natureza divina de Cristo, professando um desprezo absoluto da criação, da natureza humana e mesmo de todo o esforço humano.

Ora, toda a liturgia do Natal se elaborou nas épocas em que a Igreja lutava contra as heresias que davam tudo a Deus ou, pelo contrário, tudo ao ser humano. Nossa Pastoral de Natal corre hoje o risco de inclinar-se para um ou outro desses excessos, seja considerando nessa época somente os problemas humanos de paz ou os da pobreza com as soluções humanas apresentadas; seja também considerando a divindade de Cristo a ponto de esquecer sua trajetória humana engajando na realidade social e o os longos discursos da fé.

Uma exata visão da personalidade de Cristo permite-nos, aliás, renovar, por ocasião do Natal a nossa maneira de celebrar e Eucaristia, tomando maior consciência de que ela não é um rito mágico caído do céu, mas um encontro da pessoa humana e de Deus, preparado e celebrado pela mediação do padre.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Celebramos o Natal do Senhor. A liturgia do Natal recorda todo o realismo da encarnação terrestre do Verbo. O Filho de Deus não se disfarça em homem, mais, permanecendo Deus, é também real e concretamente homem; e se manifesta na realidade humana. Tão humano assim só Deus, como dizia o teólogo.

Com a Encarnação do Filho de Deus, teve início a era cristã, a era messiânica. Nós vivemos no tempo intermediário entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. É tempo da graça, isto é, da salvação, do perdão, da conversão, da penitência. É tempo da Igreja, tempo da pregação, da missão, da semeadura, do plantio, da pesca, do trabalho apostólico, do pastoreio. Tempo em que deus tem paciência para conosco. É o tempo entre o nosso primeiro Natal (batismo) e o nosso segundo e derradeiro Natal (morte e ressurreição). Tempo em que somos provocados, desafiados pelo amor e pela bondade do nosso Deus.

Hoje, uma luz brilhou para nós. Nesta noite a esperança é renovada. É possível um mundo de paz, justiça, amor e fraternidade. Com a encarnação, Jesus uniu todas as pessoas. Deus se fez solidário com todos. Emerge a vida, alegria e encontro. Todo o cosmo é atingido pelo mistério da encarnação. O Verbo entrou na história, recriando todas as coisas. O sol nascente veio nos visitar e guiar nossos passos no caminho da paz.
“Não pode haver tristeza quando nasce a vida”, dizia o papa Leão, no século V. Ouçamos a palavra do anjo: “não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor” (vv. 10-11).

Viver a espiritualidade do Natal significa reconciliar-se totalmente com nossa realidade humana, pessoal e social. Reconhecer Jesus “deitado nas palhas da manjedoura” nos chama a reencontrar o nosso jeito de ser, nossas fragilidades e problemas, unindo a ele o mais profundo da nossa condição humana.

Com o coração agradecido pela opção que Deus fez por nós, retomamos a mística da luta e do compromisso pela paz, pela justiça. São muitas as iniciativas, organizações ou associações que promovem a paz no mundo. Ser seguidor ou seguidora de Jesus Cristo e ser capaz de se comprometer com um Natal sem fome; uma vida sem dor, sem miséria, sem doenças, sem guerras, sem dominadores e dominados, sem violência, sem armas, sem corrupção... Santo Irineu dizia: “A glória de Deus é o homem vivo” afirmando a vida como o maior dom de Deus para a humanidade. Com o nascimento de Jesus podemos afirmar: A glória de Deus é a pessoa humana viva e solidária com seus irmãos. Que se torne realidade o anúncio pascal desta noite. Somos co-responsáveis por isso.

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Cristo Senhor”, diz o Evangelho. Cristo Senhor é o título que foi dado a Jesus depois que ele morreu e ressuscitou. A partir da Páscoa, os cristãos se deram conta da importância daquela criança nascida pobre entre os pobres: ela tem origem divina. A parti da sua morte e ressurreição, nos convencemos de ser Ele de fato o Salvador. É a partir da Páscoa que a festa do Natal tem toda sua razão de ser como verdadeira festa da Luz que vem iluminar as trevas da nossa história.

Em outras palavras, “o Salvador é pobre e se comunica a seu povo como pobre: Vocês encontrarão um recém-nascido envolto em faixas e deitado na manjedoura”. Deus utiliza a linguagem dos empobrecidos (faixas, manjedoura), dos migrantes e rejeitados da sociedade. A salvação entra na história com as características do povo pobre, longe dos palácios e dos becos de ouro.

Depois, à luz da Páscoa, podemos finalmente ver o Menino pobre entre os pobres como sendo o verdadeiro “Conselheiro admirável” (mais sábio que Salomão), o “Deus forte” (mais forte que o rei Davi), “Pai dos tempos futuros” (mais líder que o líder Moisés), “Príncipe da paz” (mediante sua liderança, fazendo justiça e defendendo o povo, criará a verdadeira paz), vislumbrado pelo profeta Isaias. 

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Ouvir a sabedoria de Deus no “hoje” da vida

Ouvimos repetidas vezes na liturgia do Natal a palavra “hoje”: “hoje sabereis que o Senhor vem e nos salva”: “és meu Filho, eu hoje te gerei”; “hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz”; “fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da vossa luz”; “hoje surgiu a luz para o mundo”; “por ele, realiza-se hoje o maravilhoso encontro que nos dá vida nova em plenitude”. Também, depois, na Epifania: “hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela”; revelastes hoje o mistério de vosso Filho como luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação.
    
“Este “hoje” quer significar que o que celebramos no Natal não é um aniversário, mas um ‘sacramento’, ou uma atualização do fato salvífico do nascimento humano do Filho de Deus. Nesta festa Deus nos comunica a graça de um ‘novo nascimento’ como filhos na família de Deus. O Natal é a comemoração do ‘ontem’ de Belém e do ‘amanhã’ da última vinda do Senhor no ‘hoje’ da celebração deste ano, que é um acontecimento sempre novo, não só recordado afetivamente.”

Quando a Igreja celebra o Natal do Senhor, não o faz como se recordasse somente o nascimento histórico de Jesus, que teve lugar num passado remoto e que, no presente atualizamos. Não é portanto “aniversário” de Jesus como costumamos celebrar os “aniversários” de nossos estes queridos. A celebração do Natal do Senhor tem a ver com um evento que nos alcança e não está preso ao passado. Enquanto fato histórico sim, mas enquanto Mistério, não.

Diz Santo Agostinho que esse Mistério diz respeito à “Sabedoria de Deus (que) se manifestou como criança e a Palavra de Deus, sem Palavras, fez ouvir a voz da carne.” A mesma luz que iluminou o povo no dia do nascimento de Jesus, brilha novamente hoje. Isso porque o mesmo Espírito que gerou o Verbo no seio da Virgem hoje gera no seio da Igreja a Palavra do Senhor. Mediante a proclamação e a vida dos discípulos e discípulas, o mundo ouve “hoje” a sabedoria de Deus.
Iluminados na paz que vem da Eucaristia

No versículo 14 do Evangelho os anjos cantam “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados”. A paz aqui exaltada é também uma das nomeações da Eucaristia. Nela está presente a paz de Cristo. Sua celebração difunde a paz no mundo. Quando celebramos a Eucaristia é como se estivéssemos em Belém, cujo sentido em hebraico é “Casa do Pão”. Nascido em Belém, Jesus dirá de si “eu sou o pão da vida” (João 6,35.48). A casa do pão hoje é a Igreja. Nela Cristo nos ilumina na Eucaristia. Recebemos sua luz, para que abramos clareiras de bondade num mundo envolto em trevas. Por isso a Igreja primitiva chamava os recém batizados de “iluminados”.

Assim, no cristão reluz a Luz de Cristo, para que torne o mundo mais luminoso. Prossiga o caminho do Menino nascido em Belém e saiba cuidar e amparar quem só tem em Deus essa esperança. É para esse sentido que convergem tanto as leituras, como as orações da liturgia da missa de hoje.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Em outras palavras, a liturgia que celebramos no Natal “é a comunicação do Deus que optou pelos pobres, falando a linguagem deles, resgatando-nos definitivamente, para que ninguém venha de novo oprimi-los. Nasce para nós o Salvador. Hoje é dia de boas notícias, pois a história toma rumo novo, manifestando a solidariedade do Deus fiel. Glória a Deus no mais alto dos céus! Sua glória é ação concreta repercutindo na terra, trazendo a paz para todos. Envolto em faixas a e colocando na manjedoura; envolto num lençol e colocado num sepulcro; fe3ito pão e vinho e posto a serviço dos que ele ama: assim é o nosso Salvador, o Messias, o Senhor, aquele que não reservou para si sua vida, mas a entregou a fim de nos resgatar e purificar, tornando-nos seu povo, dedicado a praticar a justiça”. Eis a grande Luz que a todos ilumina!

Daqui a pouco vamos iniciar a liturgia eucarística. Celebrando a eucaristia, nós louvamos e bendizemos a Deus pelo mistério da encarnação de seu filho em nossa história: nova luz da glória de Deus brilhou para nós; na pessoa de Jesus (visível aos nossos olhos), aprendemos a amar a divindade que não vemos (cf. Prefácio do Natal I); o eterno e invisível entrou na história visível da humanidade para erguer o mundo decaído; restaurando a integridade do universo, ele introduziu no Reino dos Céus, o ser humano libertado (cf. Prefácio do Natal II); é o maravilhoso encontro dando-nos vida nova e plena que hoje se realiza; pois no momento em que o Filho de Deus assume nossa fraqueza, “a natureza humana recebe uma incomparável dignidade: ao tornar-se ele um de nós, nós nos tornamos eternos” (Prefácio do Natal II).

Por tudo isso louvamos nosso Deus. Mas louvamos principalmente pela morte, ressurreição e dom do Espírito que deu pleno sentido ao mistério desta noite santa de Natal. Fazendo memória da Páscoa do Senhor, anunciamos o verdadeiro sentido do Natal como presença solidária do Pobre entre os pobres, Corpo entregue e sangue derramado em favor da vida para todos. Participando deste corpo e deste sangue, entrando em comunhão com ele, nós assimilamos tudo o que ele significa em termos de solidariedade com os pobres, para que também nós assim vivamos o com ele, ndeste corpo e deste sangue, entrando em comunhamado em favor da vida para todos. ue o Filho de Deus assume nossa fre, dessa maneira, com ele convivamos sempre. Sendo assim, após a comunhão, o sacerdote reza em nome de todos: “Senhor nosso Deus, ao celebrarmos com alegria o Natal de nosso Salvador, dai-nos alcançar por uma vida santa seu eterno convívio” Que assim seja!

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. As cores das vestes litúrgicas normalmente é o branco, porém, talvez seja bom lembrar que nos dias festivos a Introdução Geral do Missal Romano nº 309 prevê o uso de “vestes litúrgicas mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia”. Seria o caso de se usar vestes festivas, estampadas, coloridas. Algumas comunidades usam cores festivas como expressão de nossa cultura.

2. Natal é a festa da Luz. Valorizar nesta Missa da Noite o Círio Pascal. Isso ligará mais a festa do Natal à festa da Páscoa. Fazer um bonito Lucernário antes da celebração eucarística

3. A festa do Natal do Senhor tem uma profunda e importante ligação com a Páscoa, podendo até dizer que as duas são inseparáveis. Neste pequeno tempo litúrgico se celebra o Nascimento de Jesus, sua entrega total até a morte na cruz e sua vitória sobre o mal e a morte. Com o Natal, damos início ao ciclo da nossa fé cristã, onde celebramos o Nascimento do Senhor e recordamos a sua paixão, morte e ressurreição. Ao mesmo tempo, com a Epifania (manifestação) o Natal é um dos dois pólos do Ano Litúrgico. O Natal é a Santa Páscoa em germe. Pois a Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a carne, é o início da Páscoa. Encarnação e Ressurreição são inseparáveis

4. Os cantos desta celebração devem manifestar o mistério que estamos celebrando: é preciso cantar “o Natal” e não “cantar no Natal”. O Hinário Litúrgico I da CNBB – publicado em CD pela Paulus, no volume “Liturgia V” – traz excelente repertório musical para celebra o mistério da Encarnação do Verbo na nossa história. Para que há uma comunhão litúrgica é importante que os cantos da celebração sejam escolhidos pela equipe de liturgia e pela equipe de canto.
5. Valorizar hoje: presépio, flores, luzes, estrelas, vestes brancas ou coloridas, dança e onde for possível uma alegre confraternização, depois da celebração, com a toda a comunidade.

6. A celebração do Natal não é comemoração de um aniversário. É, antes de tudo, um “sacramento” (presença “hoje” da Luz que nasceu e brilhou definitivamente na Páscoa). Por isso, pedagogicamente, é bom evitar qualquer identificação simples do Natal com aniversário.

7. No dia 26 de dezembro é a festa de Santo Estevão, primeiro mártir da Igreja; no dia 27, São João Apóstolo e evangelista; no dia 28 os Santos Inocentes Mártires. Nesses três dias celebra-se Festa dos Amigos de Jesus, assim chamado pela Liturgia.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada Domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Natal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste Tempo do Natal. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico I da CNBB nos oferece uma ótima opção, que muitos estão gravados no CD: Liturgia V.

1. Canto de abertura.  “Tu és meu filho, hoje te gerei” (Salmo 2,7). “O Senhor me disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei”, Salmo 2, Hinário Litúrgico I, página 6. “Reis e nações...,” Salmo 2, CD Liturgia V, melodia da faixa 1. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar o Salmo 2, em que se canta: “Tu és meu Filho,  meu Filho a ti hoje eu gerei.”

2. Ato penitencial. Muito oportuno a primeira fórmula do Missal Romano, página 395.

3. Anúncio Natalino. CD: Cristo clarão do Pai, melodia da faixa 4.

4. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas...” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia. 

5. Salmo responsorial 95/96. “Canta ao Senhor um canto novo”. “Resplandeceu a luz sobre nós...” CD: Liturgia V melodia da faixa 2.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e o salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.
6. O canto ritual do Aleluia. “Nasceu-vos hoje o Salvador” (Lucas 2,10-11). “Aleluia, eu vos trago a boa nova de uma grande alegria”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical página 391.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

7. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração na Noite de Natal.  “Cristãos, vinde todos,” CD: Liturgia V, melodia da faixa 4.

8. Canto de comunhão. “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o salvador, que é o Cristo Senhor” (Lucas 2,11. “Nasceu em Belém e Belém quer dizer: a casa do pão”, Hinário Litúrgico I, página 80; “Nasceu a flor formosa da tribo de Jessé”, Hinário Litúrgico I, pagina 79; “Da cepa brotou a rama”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 5.  Estes três cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

9- Canto final. “Noite feliz, noite feliz”, Hinário Litúrgico I da CNBB página 83; “Vinde Cristãos, vinde à porfia..., Hinário Litúrgico I, página 90. Todos se aproximam do presépio para um momento de adoração durante o canto final.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Uma orientação para o Tempo do Natal: Usar o recurso da iluminação na igreja e também no presépio, com foco de luz sobre a imagem do Menino na manjedoura. Evite-se, no máximo, o uso de pisca-piscas, tanto no presépio como em árvores de Natal dentro do espaço da celebração como em muitas comunidades se faz! É que o show de pisca-piscas durante a missa transforma-se em “ruído”, “rouba a cena”, pois distrai as pessoas do verdadeiro centro de atenção, que é o mistério celebrado na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia. . São símbolos da onda consumista das festas natalinas e de final de ano que invade as mentes e os corações das pessoas já desde o mês de outubro. Não se deixem influenciar por esta onda consumista que queima etapas e deturpa o Mistério do Natal. Evitem-se também músicas comercias de Natal.

2. Sem dúvidas, a celebração do Natal do Senhor deve fazer-se notar pela ornamentação do espaço e por sua iluminação. Estamos muito acostumados em nossos templos, à iluminação direta e exagerada, o que causa dispersão na assembléia. A experiência das trevas nos ajuda a perceber a força da importância da luz. Sugerimos que, na celebração da noite, o templo esteja na penumbra. Pelo espaço, podem ser espalhadas diversas velas coloridas, que deverão ser acesas no momento oportuno. Em destaque esteja o Círio Pascal.

3. O espaço litúrgico deve ser preparado para exprimir a alegria desse tempo tão especial para a Igreja: flores; cor branca e dourada; presépio, em lugar acessível e à parte do presbitério; incenso. Iluminação e decoração natalinas fora da Igreja, na entrada ou no jardim.

9. AÇÃO RITUAL

Um pouco antes da celebração, a comunidade pode cantar um refrão meditativo convidando para o Lucernário.

Ritos Iniciais
1. Levar na procissão de entrada a imagem do Menino Jesus. A equipe de celebração entra com a cruz e o Evangeliário. Outras pessoas representando determinados grupos da comunidade ou paróquia também poderão fazer parte do cortejo com o Menino (por exemplo, os coordenadores da novena do Natal). Em alguns lugares é o padre quem carrega o Menino Jesus; em outros, é um casal, ou uma pessoa escolhida pelos grupos de novena, significando o esforço que foi feito para que o Cristo pudesse nascer na comunidade. Esta sugestão também vale para a Missa da Dia.

2. Para saudação presidencial poderá ser inspirada em Gálatas 4,4:

O Deus que, na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho nascido de uma mulher, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

3. A pós a saudação, o presidente, ou o diácono ou animador propõe o sentido litúrgico:

Irmãos e irmãs, nesta noite santa, a luz de Deus brilhou para toda a humanidade na pessoa do seu Filho. Nele, nossa humana história foi amada e elevada por Deus à condição filial. Celebrando a Eucaristia, reunidos pelo Espírito Santo em torno da Palavra, do Pão e do Vinho, elevamos nossa imensa gratidão a Deus que nos salvou a partir da nossa natureza humana. Fortalecidos pela esperança e alegria que o Natal gera em nós, sejamos testemunhas da solidariedade divina e da amizade que Deus nos tem.

4. O Ato penitencial pode ser feito conforme a primeira fórmula do Missal Romano, página 395:

Senhor, Filho de Deus, que nascendo da Virgem Maria, vos fizestes nosso irmão, tende piedade de nós.

5. Anúncio natalino (a ser proclamado na primeira missa [“da noite”] após o sinal-da-cruz e a saudação presidencial, antes da entoação do Glória). Página 39 do Diretório da Liturgia.

Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo e fez o homem à sua imagem;
Séculos depois de haver cessado o dilúvio, quando o Altíssimo fez resplandecer o arco-íris, sinal de aliança e de paz;
Vinte e um séculos depois do nascimento de Abraão, nosso pai;
Treze séculos depois da saída de Israel do Egito sob a guia de Moisés;
Cerca de mil anos depois da unção de Davi como rei de Israel;
Na septuagésima quinta semana da profecia de Daniel;
Na nonagésima quarta Olimpíada de Atenas;
No ano 752 da fundação de Roma;
No ano 538 do edito de Ciro rei da Pérsia autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém;
No quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a terra, na sexta idade de mundo.
Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses, nasceu da Virgem Maria em Belém de Judá. Eis o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana. Venham, adoremos o Salvador! Ele é Emanuel, Deus-Conosco! Entoemos com muita alegria nessa noite santa o Hino de louvor.

O anúncio natalino está musicado no CD: Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 4.

5. O Hino de Louvor (Glória) é, sem dúvida, um dos momentos altos da celebração desta noite. Deve ser cantado solenemente por toda a assembléia e não apenas pela equipe de canto. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico.  Pode ser acompanhado de uma coreografia feita por um grupo de crianças e ao som de sinos, onde houver.

6. Na oração do dia suplicamos a Deus que nos faça contemplar a claridade da verdadeira luz para que possamos sentir o mistério vislumbrado na terra.

Rito da Palavra

1. As leituras devem ser bem proclamadas com solenidade e excelente dicção e pronúncia. Os leitores sejam previamente preparados com ensaios e uma Leitura Orante dos textos, para exprimirem, pela voz, postura e entonação, o sentido do Mistério oculto nas Escrituras.

2. O Salmo responsorial cantado dará maior solenidade ao rito da Palavra. 

3. O Evangeliário pode ser acompanhado de tochas e incenso. E a proclamação deve ser feita de tal maneira que a comunidade viva e experiência da Encarnação de Jesus o Verbo (Palavra) que se fez carne e habitou entre nós. Palavra que é o próprio Cristo, recebendo acolhida na assembléia reunida, seu Corpo. A Palavra é realçada também por momentos de silêncio, por exemplo. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa.

4. Depois da proclamação do Santo Evangelho, a imagem do Menino Jesus é introduzida por um casal ou uma pessoa escolhida, acompanhada por duas pessoas com velas. O presidente da incensa a imagem e todos cantam: 

HOJE,UMA LUZ BRILHOU PARA NÓS. 
HOJE NASCEU,NOSSO DEUS O SENHOR.

5. Depois coloca a imagem do Menino num lugar do presbitério e junto o Evangeliário simbolizando que a Palavra se fez carne. Pode ser feita também uma oferta de flores, por crianças, à imagem do Menino Jesus.

6. Na Profissão de fé (Creio), usar o “Símbolo de Nicéia- Constantinopla” é mais extenso e mais completo que o “símbolo apostólico” que se costuma usar todos os domingos. No Natal, como em outros dias festivos, é interessante usar o primeiro, que fala mais sobre a Encarnação do Filho de Deus: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito do Pai, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus; e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem (...)”. Durante as palavras “e se encarnou”, todos se ajoelham em sinal de adoração.
Rito da Eucaristia

1. Para o Canto de apresentação dos dons, é muito oportuno canta o belíssimo e tradicional canto que está na alma do povo: “Cristãos, vinde todos, com alegres cantos”, (Adeste Fideles). Ver acima em Música Ritual.

2. Na oração sobre o pão e o vinho, peçamos a Deus que possamos participar da divindade do Filho de Deus. Céu e terra trocam seus dons.

3. A escolha do prefácio. No Prefácio I contemplamos o Cristo luz do mundo, que o povo que andava nas trevas viu uma grande luz. No Prefácio III contemplamos o intercambio no mistério da Encarnação.

4. A Oração Eucarística I (ou Cânon romano) é um pouco mais longa, mas tem a vantagem de oferecer uma parte própria para o Natal: “Em comunhão com toda a Igreja, celebramos o dia santo (a noite santa) em que a Virgem Maria deu ao mundo o Salvador. Veneramos também a mesma Virgem Maria e seu esposo São José”.  

5. Na celebração da Palavra, onde não houver Missa, após o rito da Palavra, cantar a Louvação do Natal sugerida no Hinário Litúrgico I, CNBB, página 74.

6. Dar maior destaque ao rito eucarístico: cantar o prefácio escolhido, o Santo, as aclamações da Prece Eucarística, amém final, e o Cordeiro de Deus que acompanha a fração do Pão.

7. É oportuno que a comunhão seja feita sob as duas espécies para toda a assembléia. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. Na oração após a comunhão somos chamados a viver uma vida santa do Natal para alcançarmos o eterno convívio.

2. Bênção especial para as crianças e solene, para todo o povo, como sugere o Missal Romano, página 520. O Ritual de Bênçãos traz uma Bênção para as crianças, na página 59.

3. A bênção final, em sua forma solene, pode ser dada do presbitério ou mesmo do presépio, caso o povo tenha acompanhado o presidente na deposição da imagem do Menino Jesus na manjedoura.

4. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Hoje nasceu para vós o Salvador do mundo. Ide e anunciai a todos a paz. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

5. No final, seguir em procissão com as crianças até o presépio e convidar a todos a se aproximarem do mesmo, símbolo do Natal. Um casal pode levar o Menino Jesus ao presépio. Fazer um gesto de adoração se colocando de joelhos e cantar: “Noite feliz, noite feliz” ou “Vinde Cristãos, vinde à porfia”, Hinário Litúrgico I, página 90. Nesse momento seria interessante reacender as velas dos fiéis.
10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Natal é a presença transformadora de Deus na vida e na história das pessoas. Na festa do natal, desfrutamos desta presença de Deus. Mas também somos responsáveis por sua difusão no mundo das pessoas.

Quando assim celebramos o Natal, não será somente o nascimento do Menino Jesus; será o nascimento de um mundo novo, do mundo como Deus o quer: cheio de bondade, de amor, de justiça, de paz. Então “Deus será tudo em todos” (cf. 1Coríntios 15,28).

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo. 

Um abraço fraterno a todos 
pe. Benedito Mazeti

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

“NO MEIO DE VÓS ESTÁ AQUELE QUE VÓS NÃO CONHECEIS”

3º DOMINGO DO ADVENTO
ANO B
14 de dezembro de 2014

Leituras

         Isaias 61,1-2a.10-11. Exulto de alegria no Senhor.
         Lucas 1,46-48.49-50.53-54. A minha alma engrandece ao Senhor.
         1Tessalonicenses 5,16-24. Afastai-vos de toda espécie de maldade.
         João 1,6-8.19-28. Eu sou a voz que grita no deserto.

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da alegria. Iniciamos a terceira semana do Advento, preparando-nos para a celebração do Senhor que vem. Tempo do Advento é um momento em que o Senhor nos alerta para a verdade de sua vinda.

Nossa celebração é uma exultação de alegria porque Aquele que esperamos já está conosco, em nosso meio, na luta dos pobres e pequenos. Ele mesmo vem para endireitar nossos caminhos e para nos conduzir à festa do seu Natal, com os olhos abertos e o coração sensível aos sinais de sua manifestação.

Nossa alegria não é simples festa, diversão ou euforia. É a alegria da certeza de que o Reino de Deus está no meio de nós.


2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Isaias 61,1-2a.10-11. O profeta Isaias dirigi-se aos que estão desanimados. Anuncia-lhes uma notícia encantadora, cheia de esperança, capaz de levantar os que estão caídos.

Isaias se apresenta com a missão de anunciar uma mensagem de libertação aos mais necessitados. E isto como conseqüência de uma unção especial do Espírito. Usava-se a cerimônia da unção especialmente na entronização dos reis (1Samuel 9,16; 16,1.12; 1Reis 1,39). O sentido desse rito era marcar com um sinal externo, no caso com o óleo, a estes homens como eleitos e separados por Deus para o governo do povo. Pela unção o Espírito de Deus descia sobre o ungido (1Samuel 16,13) dando-lhe assim as condições de exercer sua missão. No nosso texto de hoje a presença do Espírito de Deus é tão forte que o que o rito do óleo passa para um segundo plano. A consagração a Deus confere ao Profeta a missão de ser mensageiro de uma boa-nova. Esta novidade dirige-se em primeiro lugar aos pobres, os “anawim”: pessoas humildes, fiéis a Deus que sofrem por causa de doenças, da pobreza, de perseguições e prisões. A eles todos é anunciado o fim de seus sofrimentos, a libertação de sua situação de miséria e escravização. É anunciado um não de graça, um ano de libertação. Há aqui uma referencia ao ano sabático, ou ano jubilar (Levítico 25,10ss).

O sentido desses versículos aplica-se perfeitamente ao Novo Testamento. Cristo mesmo os aplicou a si, ao apresentar-se na sinagoga de Nazaré: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lucas 4,16-21). No tempo do Advento e mesma mensagem é dirigida, com toda a sua carga de esperança, para libertar as pessoas sofredoras de nosso tempo de toda espécie de sofrimento e opressão.

A conseqüência dessa boa notícia é um hino de júbilo e alegria que invade no coração dos pobres. Apesar de predominar no Primeiro Testamento as perspectivas e promessas de ordem material, nesses versículos 10-11 o motivo da alegria é totalmente espiritual, é Deus mesmo. Usa-se a metáfora, bastante comum, da veste: vestes de salvação, manto de justiça. Para significar uma atitude interna de júbilo e festa.

Esta nova Aliança vai ter, além do mais, uma repercussão missionária: todas as nações ficarão maravilhadas com o sinal de bênção divina constituído pelo povo (versículos 9 e 11). Essa Aliança não é, um privilégio que formaria um povo acima dos outros; ela fez deste povo um sinal legível para os outros e acolhedor para os seus empreendimentos.

Pelo fato de ser e Eucaristia o memorial do sacrifício do Senhor, que confirma a Nova Aliança com Deus e fixa o Salvador numa atitude de abertura para todos os homens, ela nos habilita a inscrever, em todos os gestos de nossa vida, esta dupla dimensão de firme apego a Deus e de acolhimento a todos.

Salmo responsorial – Lucas 1,46-48.49-50.53-54. Se Maria, como a antiga Jerusalém e como os “servos” do “servo do Senhor”, vê as gerações futuras unirem-se aos seus louvores (primeira leitura), não é para cantar a sua grandeza, mas a grandeza de Deus, o Altíssimo, que se inclina sobre os humildes. Unindo-nos hoje ao cântico de Maria, tornamo-nos também nós, com ela, “sinal de Aliança”, que se renova de geração em geração.

Vamos responder à Palavra de Deus com a mesma oração de Maria e de todos os pobres que, como ela, reconhecem a vinda de Deus em suas vidas.

O SENHOR FEZ POR MIM MARAVILHAS,
SANTO, SANTO, SANTO É O SEU NOME.

Segunda leitura – 1Tessalonicenses 5,16-24. A Primeira Carta aos Tessalonicenses é o primeiro escrito do Novo Testamento no ano 50-51 depois de Cristo. A palavra-chave desta carta de São Paulo é “Evangelho”. Para o Apóstolo, a Boa-Nova de Jesus Cristo era verdadeiramente boa, pois se destinava à salvação de todos os homens.

Eram muitos os que, na comunidade de Tessalônica, composta sobretudo de assalariados e escravos obrigados a longos dias de trabalho, sem interrupção semanal, tinham acolhido a mensagem de Paulo como se o fim do mundo estivesse iminente e portanto nada mais podiam fazer do que esperá-lo passivamente. Neste contexto, Paulo, na carta que escreve enviou a eles convida os tessalonicenses a saberem viver na oração incessante, com vigilância e discernimento.

No início da leitura litúrgica, Paulo exorta o cristão a viver na alegria (cf. romanos 15,32s; 2Coríntios 13,11; Filipenses 4,4-5), na oração e na ação de graças (Romanos 12,12; Colossenses 4,2). Embora o cristão viva no mundo uma existência igual à de qualquer pessoa, ele possui, no fundo do coração, uma certeza de salvação e um sentido da história que lhe permite reconhecer, em tudo, os eventos da salvação. Paulo também orienta sobre o uso correto dos carismas dados pelo Espírito. A cada um dos membros da comunidade.

O texto pode facilmente ser dividido em três partes, onde cada uma destaca uma realidade da vida em comum. A primeira mostra as qualidades pessoais do fiel, a segunda o discernimento quanto às doutrinas, e a terceira a atitude para com Deus. Os versículos 16-18 mostram as três atitudes da pessoa humana diante de Deus e sua vontade.

Na segunda parte, Paulo exorta a não criar obstáculos às manifestações do Espírito que, como um fogo, abrasa, aquece e não deve ser extinto na comunidade. Fazer isso seria opor-se à graça. Para isso é muito importante o discernimento. Discernir é essencial na comunidade cristã, pois a conduz à maturidade, pela qual ela é capaz de perceber o que mais lhe convém. Discernir é criar uma sensibilidade comum, que inspira, nas situações concretas, posicionamentos preciosos, concordes, exatos e comuns em prol da edificação dos irmãos (Filipenses 1,9-11), pelo serviço da Igreja, fortalecimento da sua unidade (cf. 1Coríntios 12) e submissão à lei máxima da caridade (cf. 1Coríntios 13).

Em vários momentos da Igreja a ação do Espírito inquietou seus dirigentes (cf. 1Coríntios 12-14). Entretanto, Paulo exorta, não a extinguir a ação do Espírito, mas a discernir sua presença. Desprezar a profecia, seria um risco demasiado grande, seria empobrecer a Igreja. O Espírito é livre, sopra onde e quando quer (cf. João 3,8), sem Ele a Igreja não existiria, perderia seu dinamismo, sua criatividade.

A parte conclusiva do texto, versículos 23-24, é uma oração paralela à de 3,11-13, que conclui a primeira parte da carta. A pessoa humana é objeto do beneplácito divino, e deve-se conservar sem defeito para o Dia do Senhor. Deve-se dizer que “espírito e alma” são uma única e mesma realidade, sem necessidade de se apelar para uma parte inferior e outra superior da pessoa, para a identificação semântica entre “vosso espírito” e “convosco”, ou dizer que se trata do Espírito de Deus na pessoa humana.

O Deus da paz, invocação freqüente em Paulo (Romanos 15,33; 16,20; Filipenses 4,9; 2Coríntios 13,11), é a fonte da santidade. Ele escolhe, santifica, consagra, separa as pessoas que deverão se conservar irrepreensíveis pra o Dia do Senhor.

Evangelho – João 1,6-8.19-28. Os versículos de 6-8 explicam que João Batista não é a Luz verdadeira, mas testemunha da Luz. Suspeita-se que esta afirmação enfática responda à opinião de certas seitas, de que João seria o Messias. Sem dúvida, a figura de João marcou sua época. São João parece querer definir claramente o lugar de João Batista. Ele não é a Luz, mas testemunha a Luz. A Luz é o Logos, Jesus. João é apenas uma lâmpada provisória (João 5,33-35). Isto, os judeus o aprenderam de seu próprio testemunho, narrado no Evangelho de hoje (João 1,19ss).
Os judeus (isto é, os dirigentes do povo) enviaram sacerdotes e levitas – especialistas em matéria de abluções rituais – para verificar o novo rito da ablução que o Batista enceta e pergunta-lhe a que título ele introduz este rito (versículo 19). Bem depressa, porém, a conversa orienta-se para a personalidade de João Batista. (Quem és tu? Interrogação muito freqüente no Quarto Evangelho: João 6,42; 7,11-12; 7,40-42; 9,36; 10,24). Mas João esconde sua verdadeira personalidade e se limita a declarar que não é o Messias nem Elias, nem o “Profeta” cujo aparecimento, após longos séculos sem profecias, deveria por um termo ao longo silêncio (Ezequiel 7,26; Isaias 2,1-3; Lucas 29; Salmo 73/74,9; Deuteronômio 18,18). Habilmente o Batista consegue desviar o assunto de sua pessoa, conduzindo-o a personalidade de Cristo (versículo 26), personalidade bem mais importante do que a sua e, no entanto, desconhecida.


Para São João, a melhor síntese do e sua missão, é defini-lo como testemunha da Luz, que é Cristo. João é o primeiro a reconhecer a identidade de Jesus e indica-a nos primeiros dias de uma seqüência semanal (João 1,19-51).

No primeiro dia (versículos 19-28) João dá o seu testemunho, numa espécie de “prova inicial”, declarando antes de mais nada que ele “não é o Cristo”, mas também reconhecendo que entre os seus ouvintes-discípulos está já presente “Aquele que vem depois” dele, ao qual ele não é digno de prestar o serviço “das sandálias”, serviço que nem sequer um mestre podia pretender dos seus discípulos.

O testemunho de João culminará no segundo dia, quando testemunhará que “Ele é o Filho de Deus” (João 1,29-34). No terceiro dia, João Batista desaparece da cena direta, em coincidência com a passagem de alguns dos seus discípulos da sua seqüela para a de Jesus (João 1,35-42).

Ele está no meio de comunidade cristã e ela não o conhece. A alegria de João Batista é pelo batismo de Jesus. Ele sabe que sua pessoa e seu ministério de profeta estão em segundo lugar e em função de outra pessoa superior a ele que é Cristo Jesus. João não vê o Batismo de Jesus como concorrência, mas alegra-se com isto.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

É o Domingo da alegria, estamos próximos do Natal. A alegria, sujeita a interpretações ilegítimas, recebe dos próprios textos clara especificação: “em Deus”. Não se trata da alegria humana, mas daqueles que Nele esperam, como nas Bem-Aventuranças, em que os pobres e afligidos de todas as formas são tidos como felizes, porque não têm em quem esperar senão em Deus. Não se trata da alegria conquistada, produzida, ou provocada que parece já ter entrado, inclusive, na mentalidade de muitos grupos cristãos, que reduzem a alegria ao prazer, à agitação canções, impondo inclusive nas liturgias da Igreja essa pobre concepção. A alegria em Deus é a alegria dos que esperam, dos que desejam, dos deserdados e aflitos, dos pobres e dos doentes, dos oprimidos e excluídos que aguardam, em Cristo, e na sua proximidade e vinda, a libertação. Não sem razão, o Salmo responsorial é o cântico de Maria, que canta na mesma alegria em Deus: “de bens saciou os famintos, e despediu, sem nada, os ricos”.

A presença escondida de Cristo, em nosso meio, só não é reconhecida pelos adversários de Jesus: os que estão incomodados com o anúncio de sua chegada entre os homens, “entre os mais humildes e perdidos”. Aos que crêem tal segredo é compartilhado comunitariamente. E o segredo é: Ele está presente na Vida. Na vida dos pobres, dos aflitos, dos sofridos, da comunidade; na simplicidade dos sinais sacramentais, da Palavra ouvida na fé; como testemunho vigoroso que ressoa na fragilidade da Igreja de Cristo. A Encarnação esperado do Verbo de Deus, celebrada no Natal, antecipa-se de tantas formas que só a cegueira da maldade, da violência, da mentira que reina entre os saciados e enfarados deste mundo não vê. Aos sedentos, desejosos, buscadores e necessitados é que Ele se apresenta. Sim, Ele está bem perto como canta a Antífona de entrada da celebração deste Domingo: “Alegrai-vos: ele está bem perto, sim, alegrai-vos mais no Senhor!”.

Dessa forma, a celebração de hoje espelha o testemunho de João Batista: Não sou eu o Messias. Não esperem em mim, não esperem em homem algum. Coloquem sua esperança em Deus. Nele vocês encontrarão a alegria verdadeira. Alegrai-vos Nele!”. O prefácio, como confirmação de tal compreensão eclesial, reza: “O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora no mistério do seu Natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores”. A “alegria serena”, outra expressão para designar a alegria em Deus, há de ser vivida quando na proximidade dos pobres se reconhece a proximidade de Cristo. O caminho do Evangelho e da realização cristã se afirma, então, como despojamento de si e das suas seguranças, encontrado em Deus o bem maior que nos cumula verdadeiramente. A vigilância, como exercício concreto dos bem-aventurados que esperam Deus e em Deus, é o motor da Alegria verdadeira. Só em Deus temos a realização verdadeira, por isso os aguardamos alegres.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO
           
O Advento se estruturou na história das celebrações como tempo preparatório ao Natal do Senhor, o que verificamos na oração do Dia, deste terceiro domingo. Parece-nos que sua origem mais remota está ligada às práticas austeras de jejum e penitência antes de se explicitar em celebrações litúrgicas. Portanto, na origem do Advento está o desejo e a necessidade de os cristãos fazerem uma revisão de sua vida, para discernir como se portar diante da visita de Deus em Jesus de Nazaré, celebrada nestas Igrejas, ocasião de realização do batismo conforme costume oriental.

Aplainar os caminhos, alinhar a vida

É tempo de aplainar os caminhos e alinhar a vida. Embora na época de São Leão Magno ainda não conhecesse o Advento como tempo litúrgico, pois não estava estruturado dessa forma, vários sermões seus nos indicam com precisão o rumo de sua espiritualidade. Maia tarde esses textos ou seu conteúdo teológico, foram trazidos para o interior das celebrações tanto do Ofício Divino, quanto da Eucaristia. Num desses sermões ele escreve: “Quando o Salvador instruiu aos seus discípulos sobre o Advento do Reino de Deus e o fim dos tempos do mundo à pessoa dos apóstolos deu um ensinamento que vale para toda a Igreja, e disse: Velai sobre vós mesmos para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso de comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida. (...) É indispensável que cada um se prepare para acolher este Dia: para que ele não nos surpreenda enquanto estamos ocupados só com o nosso ventre, ou imerso nos afazeres da vida”.

Maranatha!

Vem, Senhor Jesus. Em cada eucaristia celebrada, a comunidade experimenta a preparação de sua vida, mediante a escuta da Palavra que põe a sua vida nos “eixos” do Evangelho do Reino, e do pronunciar da bênção sobre o Pão e o Vinho, símbolos do homem e da mulher, submetendo-os à lógica de seu reinado.

No coração da Oração Eucarística, encontra-se a aclamação memorial que consta do reconhecimento de que, em Jesus, Deus nos visita sempre de novo, de modo que tomando parte de seu Corpo e Sangue ele sempre “há de voltar! Maraná tha!” O mundo, então se vê pronto para acolher o Salvador.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Este Domingo tem sido tradicionalmente de Domingo Gaudete, isto é, Domingo do “Alegrai-vos”. O nome vem da Antífona de Entrada, tirada de Filipenses 4,4.5b: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. Por isso, rezamos no início da Missa: “O Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o Natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene Liturgia”.

Na Liturgia Eucarística, nós bendizemos nosso bom Deus pela vinda de Jesus, “revestido da nossa fragilidade”, para realizar em nossa sociedade “seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação”. Louvemos o bom Deus porque, “agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização de seu Reino”. Louvamos o bom Deus porque o Cristo virá uma segunda vez, cheio de glória, “para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos” (Prefácio do Advento I e IA).

Tudo em virtude da Páscoa de Jesus (sua morte e ressurreição e dom do Espírito), que se faz nitidamente presente na Eucaristia que celebramos (“Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição...”). Participando desta Páscoa pela santa comunhão, nós assumimos as mesmas atitudes de Jesus: solidariedade humana, amor, partilha, justiça, paz, respeito pelos bens dos outros.

Por isso, depois de participarmos da santa comunhão, na mesa do Senhor, quem preside implora, em nome de todos, a graça da conversão. “Imploramos, ó Pai, vossa clemência, para que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam” (Oração depois da comunhão).

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A cor própria do Tempo do Advento é o roxo. Lembra-nos que é período de recolhimento, de contida alegria, de expectativa e preparação. Não cantaremos o Hino de Louvor (a não ser nas solenidades e festas, e em alguma celebração especial); fica reservado para a noite de Natal, quando juntamos nossa voz à dos anjos para dar glória a Deus pela salvação que realiza em nosso meio. O Aleluia..., no entanto, continua ressoando.

3. É importante lembrarmos às comunidades a Coleta Campanha para a Evangelização, que será realizada neste 3º Domingo do Advento, nos dias 13 e 14 de dezembro. Este ano com o lema: com o lema: “Cristo é a nossa paz” (Efésios 2,14). A Campanha para a Evangelização é, na Igreja do Brasil, uma resposta firme e significativa de todos aqueles que acreditam e assumem a responsabilidade evangelizadora. A Boa-Nova da salvação deve chegar a todos os cantos de nosso país: das grandes cidades às pequenas aldeias, das periferias às comunidades rurais, alcançando as crianças, os jovens, os adultos, os ricos e os pobres, de modo especial a todos aqueles que sofrem. Nossa generosidade seja uma oferta viva ao Cristo, que por nós se encarnou no ventre da Virgem Maria.

4. Esta será a destinação de sua coleta: 45% para cada Diocese; 20% para as 17 Subsedes da CNBB; e 35% para a CNBB Nacional.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Advento, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 2º Domingo do Advento. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico I da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VIII, Advento – Anos B e C. Encontramos também no Ofício Divino das Comunidades ótimas opções.

1. Canto de abertura.  “Alegrai-vos, o Senhor está próximo” (Filipenses 4,4-5). Para este segundo Domingo da Alegria é muito oportuno o canto “Alegrai-vos: ele está bem perto, sim, alegrai-vos mais no Senhor!”, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa. O refrão é tirado da carta de Paulo aos Filipenses e articulado com o Salmo 84/85: “Foste amigo, Senhor, da tua terra, libertaste os cativos de Jacó”. Tanto a Antífona como o Salmo expressam que a verdadeira alegria vem de Deus.

2- Canto para o acendimento das velas da Coroa do Advento

2- Canto para o acendimento das velas da Coroa do Advento. “Acendamos a lamparina”, CD, Cristo, Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Ver no google.

3- Ato penitencial - O Ato penitencial neste período pode ser feito conforme a terceira fórmula do Missal Romano, página 395. A música ver no CD, Campanha da Fraternidade 2013, melodia da faixa 4.

4. Salmo responsorial  Lucas 1,  O Magnificat. “A minha alma se alegra no meu Deus”, CD: Liturgia VIII, música da faixa 6.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

5. Aclamação ao Evangelho. O Espírito do Senhor enviou-me levar a Boa-Nova aos pobres (Isaias 61,1) “Aleluia... O Espírito consagrou-me e mandou-me anunciar”, CD: Liturgia VIII, música igual a faixa 9. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

6. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve despertar na assembléia a alegria da chegada do Senhor. A partilha nos torna sinal vivo do Senhor. O canto de apresentação dos dons, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. Neste Terceiro Domingo do Advento o canto mais apropriado seria: “As nossas mãos se abrem, mesmo na luta e na dor”, CD: Liturgia IV, música da faixa 10.

7. Canto de comunhão. “Coragem, o nosso Deus vem salvar-nos” (Isaias 35,4). “Ide e contai o que ouviste e quanto vistes”, CD: Liturgia IV, música da faixa 8. Este canto retoma o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

            10. Canto de louvor a Deus após a comunhão: Durante o Tempo do Advento omite-se este canto

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

            1. O Tempo do Advento, como sabemos, é marcado por certa austeridade no ambiente. Chamamos de reserva simbólica o procedimento de “guardar” certos elementos rituais ou ornamentais durante o período preparatório das festas. Fazemos isso tanto na Quaresma, quanto no Advento. O Clima do Tempo do Advento, porém, não possui o grau de austeridade próprio do tempo quaresmal. Neste terceiro domingo, chamado de “Domingo Gaudete”, tal simplicidade dá lugar à “alegria serena” do Natal, antecipada, tanto nas flores quanto nos paramentos e toalhas que dão lugar do roxo ao róseo.

            2. Ornamentar, discretamente, o espaço celebrativo com flores em tons de rosa, para salientar a alegria deste Terceiro Domingo “Gaudete”.

3. Durante o tempo do Advento, como já é costume, tem destaque a Coroa do Advento. Evite-se utilizar flores e matérias artificiais e espalhafatosos, muitas vezes típicos da linguagem comercial: pisca-pisca, festões, papai noel, etc. Fiel à sua origem, a Coroa do Advento é confeccionada apenas com galhos verdes em forma circular, símbolo do eterno que mergulha e se deixa entrever no tempo. A nossa exagerada criatividade fez a coroa tomar outras formas e, conseqüentemente, perder seu sentido. As quatro velas acesas uma a cada domingo, de forma crescente, anunciam que a Luz vence as Trevas. Proclamam o porvir da Páscoa do Natal. A Coroa pode ser colocada próximo ao altar ou da mesa da Palavra.

9. AÇÃO RITUAL

Ritos Iniciais

1. Após o sinal da cruz e a saudação inicial, abrindo para a recordação da vida, convidar a assembléia a recordar situações por meio das quais as pessoas se preparam para acolher a visita do Senhor. Onde as condições permitem, proponha-se uma breve partilha destas situações. Nos lugares em que não for possível, faça-se a recordação em silêncio e nomeiam-se, com antecedência, algumas pessoas para compartilhar com a comunidade alguns fatos que evoquem a preparação para o Natal do Senhor. Isto também pode ser feito no início da Liturgia da Palavra, antes de ouvir a Palavra que Deus fala pela Bíblia, quando a comunidade abre-se para ouvir a Palavra d’Ele na vida.

2. A saudação de quem preside, pode ser a fórmula “d” do Missal Romano (Romanos 15,13), manifestará a esperança e a alegria da espera e da certeza da realização das promessas. Depois disso é que se propõe o sentido litúrgico e não antes do canto de entrada.

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

3. Com a intenção de exprimir o sentido da Coroa do Advento e de recuperar o seu sentido original e litúrgico, sugerimos que, a cada domingo, nos ritos iniciais, depois do sinal da cruz, da saudação do presidente e da recordação da vida, antes de dar o sentido litúrgico, acende-se solenemente a terceira vela da coroa com a seguinte oração de benção, dentro do rito proposto. Lembre-se que as velas não são símbolo, mas a luz que elas irradiam, sim. Portanto, a cor das velas não interfere no significado da Coroa do Advento, podendo, pois, utilizar quatro velas brancas.

- Acendimento Solene da Coroa do Advento:

Alguém se aproxima da coroa, trazendo uma pequenina chama ou uma vela pequena acesa (evitem-se os fósforos que criam ruído, apagam-se facilmente, enfraquecendo a ação simbólica, do ponto de vista exterior, o que acarreta na assembleia dispersão e impaciência). Depois de acesa a primeira vela, cantar este refrão que está no CD, Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Se a equipe de canto não tiver o CD, é só entrar no google que encontra-se a música e também a partitura.

Acendamos a lamparina, acendamos a lamparina.
Sentinela a vigiar:
logo o Senhor virá, logo o Senhor virá.
Deus-Conosco: luz a brilhar. Deus-Conosco: luz a brilhar!
4. Terminada esta ação ritual, dirigi-se para a Mesa do Altar e do Ambão para acender as velas que ladeiam tais peças.

5. Essa ação ritual pode ser usada nos quatro domingos do Advento.

6. Alguém pode introduzir a assembleia no mistério celebrado, após a saudação do presidente com palavras semelhantes:

Domingo da alegria. Irmãos e irmãs, a alegria cristã se baseia na nossa esperança, que tem em Deus o seu único amparo. Alegria verdadeira é aquela que se realiza não segundo as propostas deste mundo, mas segundo o que Deus nos reserva.

7. Terminada esta ação ritual, dirigi-se para a Mesa do Altar e do Ambão para acender as velas que ladeiam tais peças.

8. Seja toda a celebração marcada por um toque de esperançosa alegria. Por exemplo, nos Ritos Iniciais dar o abraço da paz. As pessoas podem saudar umas às outras com palavras inspiradas na Antífona de hoje: “Alegre-se! O Senhor está perto!”.

9. O Ato penitencial neste período pode ser feito conforme a terceira fórmula do Missal Romano, página 395, n. 2.

10. Na oração do dia pedimos a Deus que possamos chegar à alegria da salvação e celebrá-la, já, em nossa vida.

Rito da Palavra

1. Antes da Primeira Leitura em vez de comentário que já caiu do uso, é interessante cantar a repetição do Ofício Divino das Comunidades preparando o coração da assembléia para acolher a Palavra:

- Já chegou o tempo, o Senhor vem vindo! (bis)
- Venham, pelo deserto, um caminho abrindo! (bis)

2. Destacar a procissão com o Evangeliário do Altar para a Mesa da Palavra.

3. Deixar sempre uns instantes de silêncio após cada leitura e também após a homilia, para um diálogo orante de amor e compromisso da comunidade com o Senhor.

4. Após o Evangelho, sugerimos proclamar à maneira do anúncio das “calendas” que se faz na Solenidade da Epifania do Senhor, as “Trovas da Alegria”, conforme o texto abaixo, anunciando o enfoque do mistério das duas semanas que seguem: a memória da visita do Verbo na Encarnação no seio da Virgem Maria, em Jesus seu Filho.

Eis, queimando em nosso peito               Alegrai-vos, pois, irmãos
Jubilosa alegria:                                       O Senhor já está bem perto.
A Palavra do Eterno                                 Seu fulgor em nós rebrilha
Faz-se nossa companhia;                         Sua visita é fato certo.
                                                                
Grita João, com voz feroz                       O Mistério que, de longe,
Contra a morte, pela vida                        Vem o mundo visitar
O Messias já virá                                     Vai, decerto, envolver
Com vontade decidida:                            Água e terra, fogo e ar.
                                                                
Pelo Espírito animado                             Tudo novo, recriado                        
Vai limpar nossos canteiros                     Pela voz da eternidade.
Palha estéril queimará                             Vinte e cinco de dezembro
Vai o trigo p’ro celeiro.                           Veste-se Deus de humanidade.

5. Seria interessante responder a cada prece retomando o clamor das comunidades do Apocalipse: “Vem, Senhor Jesus!”.

6. Outra alternativa é nos quatro domingos do Advento, as preces podem ser cantadas na forma de Ladainha do Advento, do CD: “Luz do Universo”, do Mosteiro da Anunciação do Senhor, cidade de Goiás, ou também numa bonita versão de Ir. Miria Kolling. Quem não tiver o CD, a Litania do Advento (Ladainha) pode ser recitada no momento das preces, substituindo-as. Em todos os domingos, preceda-se assim:

Oh, Senhor... Aleluia!                                       Sabedoria... Aleluia!
Vem, Messias... Vem, Senhor Jesus!               Vem, nos renova... Vem, Senhor Jesus!
Oh, Justiça... Aleluia!                                        Nosso desejo... Aleluia!
Mora entre nós... Vem, Senhor Jesus!             Nosso anseio... Vem, Senhor Jesus!
Misericórdia... Aleluia!                                     Oh prometido... Aleluia!
Vive entre nós... Vem, Senhor Jesus!              Nosso Messias... Vem, Senhor Jesus!
Nossa força... Aleluia!                                       Oh Esperado... Aleluia!
Dentro de nós... Vem, Senhor Jesus!               Luz das nações... Vem, Senhor Jesus!
Liberdade... Aleluia!                                         Luz das trevas... Aleluia!
Salva teu povo... Vem, Senhor Jesus!              Ressuscitado... Vem, Senhor Jesus!
Nossa cura... Aleluia!                                        Senhor da Glória... Aleluia!
Tira a dor... Vem, Senhor Jesus!                      Oh Desejado... Vem, Senhor Jesus!
Oh conforto... Aleluia!                                      Oh Amado... Aleluia!
Dá esperança... Vem, Senhor Jesus!                Entre nós... Vem, Senhor Jesus!
Nossa alegria... Aleluia!                                    Dentro de nós... Aleluia!
Nos preencha... Vem, Senhor Jesus!

Rito da Eucaristia

1. O rito da preparação dos dons tem como finalidade despertar nos fiéis a solidariedade para com o culto e a Igreja. Sua característica própria é a partilha. Despertar nos fiéis que hoje é dia da coleta para a Campanha da Evangelização da CNBB.

2. Na oração sobre as oferendas suplicamos a Deus que nos permita participar da salvação divina pele celebração litúrgica, lugar privilegiado da revelação de Deus.

3. É sumamente louvável que, quem preside a celebração eucarística em nome de Cristo, proclame o Prefácio também com ênfase, pausadamente, em tom orante, com grata e vibrante esperança. Para o povo que escuta, isso é muito importante. Ajuda a alimentar a esperança. Por que não fazer o mesmo com toda a Oração Eucarística e, inclusive com as demais orações? Para tanto, nada melhor do que uma adequada preparação prévia, em algum momento da semana, com a realização de uma boa leitura orante dos textos.

4. O Prefácio do Advento II nos parece bastante oportuno para este Terceiro Domingo, nos alegrando com Aquele que esperado com amor de mãe pela Virgem Maria, e que João Batista anunciou estar próximo, presente entre nós.

Ritos Finais

1. Na oração depois da comunhão suplicamos a Deus que purificados pelo sacramento pascal, nos preparamos para a festa do Natal.

2. Bênção solene própria do Advento, com imposição das mãos sobre o povo (página 519 do Missal Romano).

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Preparai o caminho do Senhor! Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

4. O Tempo do Advento é oportuno para motivar a genuína devoção mariana, orientando-a, pela liturgia, para seu verdadeiro fim: A contemplação daquela que se faz aberta para que a Palavra do Senhor viesse habitar entre nós. É o que afirma o papa Paulo VI na encíclica Marialis Cultus (cf. n. 4). Ela, Maria de Nazaré, é a última testemunha da Antiga Aliança e a Primeira da Nova Aliança, pois recolhe a esperança de Israel que em seu ventre se vê cumprida. Seus olhos se mantêm permanentemente abertos, em estado de vigília e expectação. Assim, podemos dar o devido destaque a sua “imagem ou ícone” e lhe seja dedicada uma saudação no fim da celebração eucarística, nos ritos finais preferencialmente. Assim, após a bênção final, é oportuno saudar a Virgem Maria com as palavras do Anjo, o que sugerimos se faça cantando, conforme o texto que está no Hinário Litúrgico I da CNBB, página 9:

“EU TE SAUDO, CHEIA DE GRAÇA”, (Bis)
SAUDOU O ANJO A VIRGEM SANTA. (Bis)
“CUMPRA-SE EM MIM TUA PALAVRA, (Bis)
POIS DO SENHOR SOU A ESVRAVA”. (Bis)

5. Outro canto muito adequado para este momento mariano é o canto: “Salve Maria, tu és a estrela virginal de Nazaré”, que está no CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 16. Ou outro canto adequado. Pode-se também cantar ou rezar a Salve Rainha ou a forma tradicional conhecida do Ângelus, ou simplesmente rezar a Ave Maria.

10- REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO

1. “Até o dia 16, de dezembro, inclusive, não se permitem as missas para diversas circunstâncias, votivas ou cotidianas pelos defuntos, a não ser que a utilidade pastoral o exija.” (IGMR, nº 333).

2. “Os dias de semana dos dias 17 a 24 de dezembro inclusive visam de modo mais direto a preparação do Natal do Senhor.” (IGMR, nº 42). Antes é o Advento escatológico.

11- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Preparemo-nos dignamente para a vinda do Salvador. É preciso promover, a partir de nossos próprios lares, a reconciliação e a paz. Vivamos intensamente o novo céu e a nova terra, com que Cristo nos presenteia no seu nascimento. Deus abre o caminho para nós. Não recusemos entrar nele.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           

Pe. Benedito Mazeti