sexta-feira, 24 de julho de 2015

“RECOLHEI OS PEDAÇOS QUE SOBRARAM, PARA QUE NADA SE PERCA”

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM
ANO B
26 de julho de 2015

Leituras

         2Reis 4,42-44. Dá ao povo para que coma.
         Salmo 144/145,10-11.15-18. É justo o Senhor em seus caminhos.
         Efésios 4,1-6. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo.
         João 6,1-15. Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes.


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da multiplicação dos pães. A partir deste domingo, interrompendo a seqüência do Evangelho de Marcos, a liturgia nos propõe, por cindo domingos, o capítulo 6 do Evangelho de João, com a narrativa da multiplicação dos pães e o discurso sobre o Pão da Vida.

A multiplicação dos pães não é apenas uma imagem da Eucaristia, mas também do banquete messiânico no final dos tempos, quando todos serão saciados e a morte, vencida. Este é o verdadeiro sentido da missão de Jesus.

Neste domingo, celebramos Jesus ressuscitado, pão que alimenta, dá sentido a nossa vida e é proposta de saciedade para tido tipo de fome que angustia a humanidade.

Unimos ao memorial da Páscoa de Jesus e a ação solidária de todas as pessoas e grupos que se empenham fraternalmente na luta contra a fome e a miséria crescente do povo, desafiando o sistema de acumulação que domina nosso mundo.

Acolhemos com carinho todas as pessoas, mas hoje, especialmente a presença dos avós em nossa celebração.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – 2Reis 4,42-44. A intenção da narrativa desta leitura é a de revelar que Eliseu não foi inferior a Elias, em carisma e em poder. Como na missão profética de Elias relatava uma multiplicação de pães (1Reis 17,1-15), era preciso que um milagre semelhante pudesse ser atribuído a Eliseu. É a finalidade da breve passagem lida hoje na liturgia.

Multiplicando os pães, Elias estava principalmente atento à miséria dos pobres; a multiplicação feita por Eliseu retém, por seu lado, a abundância de pães, a importância dos restos e o caráter prodigioso do acontecimento (versículos 43-44).

Eliseu deu uma ordem ao servo: “Dá os pães a estes homens... Ma o servo respondeu: Como poderei dar de comer a cem pessoas com isto”. Em seguida o servo “lhes deu e comeram”.  “Eis o que diz o Senhor: Comerão e ainda sobrarás”. Esta ordem dada por Eliseu ao servo não era mera palavra humana de um homem qualquer, mas uma palavra cheia de vigor do homem de Deus Eliseu (versículo 42a).

Segundo os especialistas da Bíblia, é certo que a multiplicação dos pães feita por Elias e Eliseu influenciou a redação das narrações evangélicas sobre a multiplicação dos pães de Jesus. Qual era a intenção desta referencia e alusões a 2Reis 4,42-44? A resposta é simples. Jesus veio para cumprir a Lei os Profetas. Era, pois, conveniente mostrar que Ele autenticava sua missão através de sinais que os profetas fizeram. O evangelista João acentua esta perspectiva, anotando a exclamação do povo: “Este é verdadeiramente o Profeta que há de vir ao mundo!” (João 6,14).

A atividade profética de Eliseu teve lugar no Reino do Norte. No seu tempo, muitos pobres, para sobreviverem, submetiam-se a dívidas com os latifundiários, vendendo seu trabalho por nada. Eliseu homem de Deus, ajuda o povo a se organizar para sair de tal situação. A libertação não é um favor,

A multiplicação dos pães sacia cem pessoas, com vinte pãezinhos de cevada, lembrando a fartura do maná, no tempo de Moisés. Embora à primeira vista pareça não ser suficiente para tanta gente, quando partilhado, satisfaz a todos e ainda sobra.

Fartura, abundância, alimento à vontade são frutos da partilha, a qual é sinal da realização do projeto de Deus, da chegada do tempo messiânico que se realiza em Jesus Cristo.

Salmo responsorial 144/145,10-11.15-18. É um hino de louvor à grandeza de Deus, abrindo o grande louvor final do livro. É um hino de louvor de uma pessoa que convida outras a fazer o mesmo. O contexto é público e o motivo do louvor são as obras de Deus na história do povo. De fato, daqui até o fim, todos os salmos são desse tipo.

O convite começa na primeira pessoa do singular. Domina o tema do Reino de Deus. O tema comum é a misericórdia de Deus. O Salmo 144/145, diante da beleza da criação, que é reflexo da magnitude e perfeição do Criador, bendiz o nome do Senhor. Afirma que o Senhor é misericórdia, piedade, amor, paciência e compaixão. O Senhor ama a todos e é bom para com todos: sua ternura abraça toda a criatura. Vale a pena retomar as afirmações do Salmo a respeito de Deus, pois resumem e expressam muito bem o que a liturgia toda proclama.

O salmo destaca como é o rosto de Deus. Os títulos dado a Javé sintetizam o rosto de Deus neste salmo: grande, piedoso, bom, fiel, amoroso e justo. Um Deus que se interessa pelas pessoas e se aproxima com o seu rosto. “Sua ternura abraça toda a criatura” (versículo 9). Um Deus aliado que faz justiça, defendendo os oprimidos da ganância dos injustos. Aparece também como Criador e doador de vida para todos.

Demos graças ao Senhor porque Ele sempre se aproxima de nós e sempre nos dá provas do seu amor. Que Ele nos ajude a buscar de novo a sua face. Com o Salmo 144, louvemos a fidelidade de Deus, traduzida em suas obras amorosas: ele ampara, endireita, dá alimento, estende a mão e sacia. Ao cantar este salmo em nossas celebrações, renovemos a nossa confiança no Deus que quer vida e fartura para o seu povo.
SACIAI OS VOSSOS FILHOS, Ó SENHOR!

Segunda leitura – Efésios 4,1-6. O apóstolo Paulo tem diante de si um dos três problemas que ameaçavam a Igreja nascente, a discórdia (versículos 1-3), os outros dois eram as divisões dos ministérios (versículos 7-11) e as heresias (versículos 14s). A esses perigos Paulo opõe a unidade em Cristo (versículos 4-6) como único modo de superar discórdias e ciúmes (versículos 12s) e heresias (versículo 16), assim ele faz uma advertência mais longa sobre a união dos membros da Igreja na caridade e na paz.

A nossa conduta é decorrência normal de uma opção de fé. Dogma e vida, fé a ação estão permanentemente unidos. Assim na vida concreta da comunidade deve-se manifestar a fé.

Paulo prisioneiro, por ter andado segundo sua vocação de Apóstolo, anunciando Jesus Cristo, exorta os que estão livres a orientarem suas vidas segundo o chamado que tiveram. Assim sendo, o cristão foi chamado, escolhido e predestinado por Deus para ser seu filho (Efésios 1,4s), por isso deve andar de modo especial (cf. Atos 14,16).

Passa-se a indicar, então, qual o modo de se trilhar o novo caminho: humildade, mansidão, generosidade e paciência. Como vemos, são virtudes concretas do bem viver, da vida em comum, que têm por base a humildade, que não é esporádica, mas um constante renunciar a ser o primeiro, a mandar, a fazer prevalecer a sua própria opinião e que se caracteriza pelo servir, isto é, procurar o desprezível, agir de maneira discreta sem dar na vista, deixar morrer o seu eu. Como o Cristo, entrar num processo de Kenosis, isto é, de esvaziamento.

Humildade provém do latim humilis, que por sua vez deriva de húmus (= terra) Humildade é, pois, o que está ao nível do solo e se move perto da terra. Algo que corresponde exatamente à nossa pequenez e condição de criatura, parte pequena do cosmos. Humilde é aquele que com sabedoria e realismo reconhece a distância que o separa do seu Criador. Por isso, “humildade é caminhar na verdade” (Santa Teresa).

Ser generoso, longânime é repartir o que se tem (Atos 2,44s; 4,32.34s). Tudo isso no amor, que faz um suportar o outro. Afinal de contas todos foram unidos num único povo por Cristo (Efésios 2,14) e devem se aceitar e amar como são. Vivendo na paz, dom de Deus que frutifica pelo esforço de cada pessoa humana, realizarão concretamente na vida a união que possuem no Espírito, fonte de unidade.

Não resta dúvida que este leitura é uma exortação à unidade. Paulo, na prisão suplica aos efésios que vivam de acordo com a vocação a que foram chamados e se esforcem para manter a unidade, já que receberam um mesmo batismo. O reconhecimento da paternidade de Deus nos leva a admitir que os “demais” são nossos irmãos.

A unidade é a essência da Igreja: um corpo, um espírito, um Senhor, uma fé, um batismo, um só Deus e Pai de todos. E para manter essa unidade é preciso: humildade, paciência e suportar-se mutuamente na caridade. A humildade e a modéstia desempenham papel muito importante onde a unidade é ameaçada. A mansidão, o espírito pacífico e a docilidade são comportamentos que distanciam toda espécie de rixa, evitam a agressividade e o sentimento de superioridade. A paciência é um sinal essencial do amor e torna possível a unidade e a paz. É o Espírito que cria e conserva a unidade.

Paulo descreve essa fonte de unidade em três partes, cada uma com três elementos: o Espírito que anima o Corpo de Cristo e a esperança que ele faz nascer (versículo 4); o Senhor ressuscitado, a fé que o professa e o batismo que dele faz participar (versículo 5); enfim, o Pai, acima de todos, por todos e em todos (versículo 6).

Portanto, trata-se de uma fórmula trinitária: com efeito, é na vida comum das três pessoas divinas que reside o segredo da unidade na comunidade e a unidade das pessoas. Mas a fórmula menciona o Pai em terceiro lugar, em vez do primeiro (cf. Efésios 1,3-14), porque a unidade que se trata se faz progressivamente pela ascensão da humanidade, com o Espírito e Cristo, até o próprio Pai.

Para mostrar de que modo a vida divina faz a unidade com a humanidade mas também a da pessoa, Paulo estabelece uma relação entre cada virtude teologal e cada pessoa da Trindade; o Espírito sustenta a esperança (1Coríntios 12,13; Efésios 2,18; Romanos 8,26-27), Cristo chama à fé (Romanos 10,8-17) e o Pai está “em todos” para neles fazer nascer amor e comunhão (2Coríntios 13,13; Filipenses 2,1).

No entanto, a Trindade confere seu verdadeiro sentido a todo processo de amor, pois ela realiza a unidade perfeita entre pessoas que não deixam de ser perfeitamente distintas. Não é com essa unidade que toda pessoa sonha, em seu encontro de amor com o outro?

Participamos do mistério Trinitário entrando num tipo de comunhão com todas as pessoas, onde cada um só pode ser feliz em relação com todos. Ligando cada virtude teologal a cada pessoa da Trindade, Paulo afirma que a pessoa humana partilha da vida trinitária na medida em que vive sua vida como um dom de Deus, adquirido em Jesus Cristo que veio estabelecer a paz e a unidade.

Sem a Trindade, todo o nosso empreendimento de unidade é destinado ao fracasso, quer ele divida as individualidades, quer aglutine as personalidades. Na relação com a Trindade, pelo contrário, cada pessoa pode ser verdadeiramente ela mesma.

Evangelho – João 6,1-15. João tem muitas vezes o hábito de relatar um acontecimento e fazê-lo seguir de um discurso que explicita seus temas.

Basta compararmos a versão da multiplicação dos pães em São João com a de Mateus, Marcos e Lucas, para localizar essas características e esses temas. Enquanto que nos outros três evangelhos, a multiplicação se situa no fim de um dia de pregação, em São João, ela ocupa todo o lugar, a ponto de deixar a impressão de que a multidão vem para comer. Jesus se apresenta de início, na versão de São João, preocupado em dar de comer (versículo 5), enquanto que, nos outros evangelhos, ele só dá de comer depois de ter percebido que nenhuma solução era possível (Mateus 15,32-33).

A multiplicação dos pães é o quarto sinal do Evangelho de João, sinal central dentre os sete que simbolizam toda a ação de Jesus. Este sinal é apresentado seis vezes nos quatro evangelhos.

È fundamental notar que Jesus se encontra na Galiléia, região de trabalhadores pobres, mantida por latifundiários que moram na corte de Herodes. A Páscoa dos judeus está próxima, mas o povo prefere não ir a Jerusalém, e seguir Jesus; libertam-se, assim, do poder explorador concentrado no templo de Jerusalém.

Jesus é o verdadeiro libertador que conduz à Páscoa autentica: é o novo Moisés, que sobe ao monte e é rodeado por muita gente que deseja escutá-lo. Às vezes vinham de longe, atraídos pela fama dos sinais que realizava. Jesus aproveita um desses momentos para ensinar a partilha, característica fundamental de seu projeto. Começa interpelando os discípulos como solucionar o problema da fome do povo.

É a mesma situação apresentada na primeira leitura. Pão de cevada era comida modesta, de pobres ou gente simples, e o único alimento que tinham para partilhar naquele momento.

Jesus não dá esmola; Ele ajuda as pessoas a repartir o que têm, mesmo que seja cinco pães e dois peixes... Há uma grande diferença entre dar esmola e o ato de repartir. A solidariedade, o partilhar gera irmandade, trazem a alegria da salvação a todos. A esmola o paternalismo podem produzir desigualdade, descontentamento, divisão, dependência, humilhação.

Jesus encarna a generosidade de Deus. O povo come o quanto precisa e ainda sobram doze cestos. Doze é número simbólico que, às vezes, se refere à organização do povo. Mas o que se torna claro é que não se deve desperdiçar o dom de Deus.

O primeiro tema com o qual João da uma colorida no relato é o do maná do deserto e, de um modo mais geral, o da experiência do deserto. A conversa inicial entre Cristo e Filipe lembra a que se passa entre Deus e Moisés, antes que Deus multiplicasse, até que todos ficassem saciados, a carne reclamada pelo povo (Números 11,21-23).

O cuidado dispensado pelos apóstolos, especialmente designados para isto (contrariamente à versão de Mateus, Marcos e Lucas), com o recolhimento dos restos (versículo 13), tende a mostrar que, ao contrário do maná que logo apodrecia (Êxodo 16,16-21), o pão de Jesus é imperecível (João 6,27.51) e, consequentemente, sinal de eternidade.

O segundo tema da narrativa é o da refeição escatológica. A questão colocada por Jesus, no versículo 5, faz imediatamente pensar em Isaias 55,1-3; 65,13. O fato de que o pão abençoado por Jesus seja um pão de cevada, o pão dos pobres (detalhe ressaltado apenas por João), reforça a idéia de que o banquete oferecido por Jesus satisfaz plenamente os “pobres de Javé” com a plenitude messiânica.

Outro detalhe importante é notar que Cristo se antecipa mais na narrativa de João do que nas narrativas dos outros três evangelhos: ele próprio fornece a matéria prima, dirige o diálogo inicial (versículos 5-10) pronuncia a bênção da mesa e distribui o pão (versículo 11). Nos outros três evangelhos, Jesus manda os apóstolos saciarem o povo (idéia de missão) e em João o próprio Jesus distribui a pão. Portanto, trata-se realmente de um relato destinado a revelar a pessoa de Jesus, isto é, a refeição é destinada a conduzir os discípulos até o mistério de sua pessoa.

Mas o povo entende a multiplicação dos pães numa mentalidade de messianismo político; não entende a referência do sinal. Nos versículos 14-15 se anuncia a palavra de Jesus diante de Pilatos: “sou rei, mas meu reino não é deste mundo”. Este é o sentido profundo da ambigüidade de João: sob os sinais matérias esconde-se uma realidade espiritual, que só se revela a quem procura Jesus na fé em sua palavra; e este recebe o verdadeiro alimento messiânico.

Jesus saciou concretamente pessoas que tinham fome e, se revelou o pão da vida eterna, ele o fez a partir de uma realidade terrestre. O pão que ele fornece não é somente o símbolo do pão sobrenatural: não é possível revelar o pão da vida eterna sem se engajar verdadeiramente nas tarefas de solidariedade humana: o amor dos pobres, assim como o dos inimigos, é o teste por excelência da qualidade da caridade. Reconhecer aos pobres o direito de receber o pão da vida é engajar-se até o fim das exigências do amor e traduzir por uma nova multiplicação dos pães em escala universal, o gesto empreendido por Cristo.

A Eucaristia distribui o pão da vida em abundancia e em todas as dimensões, mistério da pessoa de Cristo, sinal da escatologia, sacramento da Páscoa. Mas só existe verdadeira recepção desse pão da vida no despojamento e numa disponibilidade absoluta, que faz de cada participante um irmão dos mais pobres entre as pessoas.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

A fome é uma questão que atinge a todos nós. Jesus se deparou com a fome, assim como seus discípulos, a Igreja primitiva e também atinge a humanidade até hoje. O desequilíbrio entre nações ricas e a multidão de pobres é assustador. Como cristãos somos seguidores de Jesus, que, a partir da realidade de seu tempo, saciou concretamente pessoas que tinham fome e se revelou como pão.

Com os critérios da sociedade torna-se impossível saciar a fome dos pobres. O poder público lida com grandes somas, mas nunca direciona esses recursos para resolver o problema do povo. É preciso mobilizar e descobrir a força que se encontra no meio dos pobres. Jesus usa os pães dos pobres (menino), sem criar dependência do dinheiro.

Quantas vezes vemos grupos que se organizam com um mínimo de estrutura. Cooperativas surgem do nada e se desenvolvem com o esforço suado dos seus membros. Em vez da confiança no dinheiro, aposta-se na eficácia da solidariedade que se apóia na partilha generosa, que faz crescer em dignidade e autonomia. Ao contrário, há projetos que se sustentam com muito dinheiro. O risco do monopólio e da dominação de uns sobre os outros, nestes casos, é muito maior e nem sempre os resultados são proporcionais aos recursos empregados; nem sempre os resultados são de partilha e compaixão.

A revelação de Jesus como pão só se realiza no compromisso com a solidariedade, a partilha e o engajamento em uma nova “multiplicação de pães”, em escala nacional e mundial. Compete a nós a sétima multiplicação de pães, para ser plena.

Se o povo passa fome, não é tanto pela pobreza em si, mas pelo fechamento de quem não se importa com os demais. A partilha marcou profundamente as primeiras comunidades cristãs. Ao partir o pão, descobre-se a presença nova do Ressuscitado!

A salvação trazida por Jesus atinge a nossa vida em todas as suas necessidades; é total, não deixa ninguém com fome. Por isso, nossa atuação e responsabilidade com as questões sociais, econômicas e políticas são sinais da salvação que Deus quer realizar, hoje, através da nossa ação.

Ao multiplicar os pães, Jesus nos oferece critérios evangélicos fundamentais para vivermos a fraternidade, a partilha e a solidariedade. É repartindo e sendo solidários que vamos realizar o projeto de Jesus, banquete de fartura e de alegria entre irmãos que se amam. O dinheiro, a terra, os bens ou servem para criar a fraternidade ou acabam dividindo e matando as pessoas.

Jesus ensina que a dinâmica do Reino é a arte de repartir. Todo o dinheiro do mundo não seria suficiente para comprar alimento necessário para os que estão passando fome... o problema não se soluciona comprando, mas repartindo.

A dinâmica do mundo capitalista é precisamente o dinheiro. Cremos que sem dinheiro nada podemos fazer. Convertemos tudo em moeda. No mundo puramente capitalista, não há espaço para a gratuidade. Tudo tem seu preço! Nós já nos esquecemos de que a vida nos é dada por pura gratuidade de Deus.

Na celebração, comendo o pão à mesa do Senhor, realiza-se para a assembléia reunida em nome do Senhor o milagre da multiplicação dos pães e chama-se à missão para vencer a fome no mundo. Acolhemos Jesus como aquele que se põe a serviço e nos ensina o caminho de Deus.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Deus nos alimenta com fartura

O salmista convida ao louvor a Deus, que alimenta seu povo: “Que vossas obras todas vos celebrem, Senhor, e vossos fiéis vos bendigam... em vós esperam os olhos de todos e no tempo certo vós lhes dais o alimento”. O refrão constata a generosidade de Deus revelada na pessoa do Messias: “Saciai os vossos filhos, ó Senhor!” No Evangelho, Jesus, com autoridade e soberania, mata a fome daqueles que estão na busca de meros sinais. As pessoas são acomodadas na grama. Jesus não pede ajuda aos discípulos para a tarefa da distribuição do alimento. Toma-os, dá graças ao Pai e os reparte com fartura. Este gesto nos remete à “fração do pão” sob ação de graças, remete-nos à Eucaristia: “característica da assembléia cristã dos primeiros tempos – refeição ao mesmo tempo fraterna e messiânica”, como afirma Johan Konings em sua obra sobre o Evangelho de João.

A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia

Para a Eucaristia vamos famintos do Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia. A assembléia se serve de duas mesas, indo para casa com o coração saciado de Deus. No entanto, convém estar atentos à Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, que afirma que a sagrada liturgia não é a única atividade da Igreja, “pois, antes de ter acesso à liturgia é preciso ser conduzido à fé e se converter”. A participação ativa e frutuosa na liturgia deve ter reflexos na espiritualidade cristã. O Catecismo da Igreja Católica nos inspira ao compromisso com os pobres: “Para recebermos na verdade o Corpo e o Sangue de Cristo entregues por nós, devemos reconhecer Cristo nos mais pobres, seus irmãos” (cf. Mateus 25,40). A realização do milagre da multiplicação dos pães no banquete eucarístico nos desafia a partilhar e a lutar por novas formas de convivência, nas quais o pão cotidiano, por nós compartilhado, é sinal da vida em abundância que se encontra no Cristo, Pão para a vida do mundo!

4- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Necessitados de força, de coragem, de sentido para a vida e de perseverança, participamos da ceia do Senhor onde se realiza entre nós a multiplicação dos pães.

Jesus, o Pão da vida, sacia nossa fome com a Palavra que nos revela o sentido da vida e com a ceia eucarística, sacramento da salvação, sinal e antecipação do banquete sem fim a que somos destinados.

Ele nos convida a abrir nossas mãos e nosso coração “que para tudo guardar se fecham” para gestos de partilha e solidariedade, a fim de vencermos nossas dificuldades, a fome e a miséria do mundo.

A eucaristia é o pão que sacia a necessidade que temos de alimento para conservar a vida, ter coragem perseverança e segurança; o pão que nos dá forças para superar as atribulações que existem e atormentam nossa vida. É a segurança de que Deus nos ama, e a certeza da Ressurreição; é Deus-conosco.

5. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. É importante e decisivo, na formação litúrgica das equipes, oferecer pequenas vivências, como: proclamação das leituras de maneira serena e calma tendo uma boa postura, preparação do Altar, animação do canto, proclamação das preces dos fiéis, distribuição da comunhão, modo de caminhar e sentar-se

2. É preciso valorizar o uso da veste litúrgica por leitores e salmistas, pois ela torna visível o serviço de quem proclama a Palavra, ela é a marca da função ministerial, isto é, colocar-se a serviço de Deus e da assembléia orante.

3. O CD: Liturgia VI, Ano A, CD: Liturgia IX, Ano B e o CD: Cantos de Abertura e Comunhão Tempo Comum I e II, da coleção Hinário Litúrgico da CNBB nos oferecem cantos adequados para cada Domingo. O repertório bem ensaiado manifestará, mais harmonicamente, o mistério celebrado.

6- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 17º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

1. Canto de abertura.  Deus reúne seu povo, lhe dá força e poder. (Salmo 67/68,6-7.36). Para o canto de abertura, sugerimos este Salmo que mostra a compaixão do nosso Deus acolhendo os oprimidos. “Acolhe os oprimidos em tua casa, ó Senhor”, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 24. As estrofes são do Salmo 33/32, nos dá a certeza de que o Senhor protege sempre quem espera em seu amor. Sugerimos outra excelente opção como canto de abertura: “Eis meu povo o banquete”, CD: Cantos de Abertura e comunhão ou Hinário Litúrgico III da CNBB, página 312.

Como canto de abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Isso não significa rigidez. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria o canto: “Vós sois o Caminho, a Verdade e a Vida”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 10 é uma boa opção para iniciar a celebração

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas...” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Ver também nos outros CDs que citamos acima.

3. Salmo responsorial 144/145. “Abres tua mão generosa e nos sacias”. “Saciai vossos filhos, ó Senhor! Melodia da faixa 7 do CD: Liturgia IX, melodia da faixa 8.
A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

4. Aclamação ao Evangelho. Um grande profeta surgiu entre nós; Deus visitou seu povo. (Lucas 6.16). “Aleluia... Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo sofrido”, CD: Liturgia VII, mesma melodia da faixa 11. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

5. Canto de Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Domingo da multiplicação dos pães. Devemos ser oferendas com nossas oferendas para socorrer os necessitados. Expressemos nossa compaixão para com os que sofrem. “Dai-lhes vós mesmos de comer, que o milagre vai acontecer”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 9.

6. Canto de comunhão. “Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro...” (João 6,5). “Senhor, a fome no mundo faz tanta gente sofrer”, CD: Liturgia IX, melodia da faixa 16.

O Evangelho de hoje, como no Domingo passado, é contexto de deserto, onde Jesus se depara com a multidão desamparada e faminta.  Sente compaixão e sacia a todos. Outra ótima opção para o canto de comunhão seria “O pão da vida, a comunhão, nos une a Cristo e aos irmãos”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 16. Estes cantos também permitem estabelecer e experimentar a unidade das duas mesas, considerando a Liturgia um único ato de culto. O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do dia. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia.

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

            1. Preparar o espaço da celebração bem festivo, porque cada domingo é Páscoa semanal. Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o altar.

2. “A decoração da Igreja deve manifestar o caráter festivo da celebração. As flores, as velas e as luzes devem colaborar para que as celebrações sejam de fato memória da Páscoa de Jesus.”

            3. A cor litúrgica é o verde nos paramentos no ambão. Pode-se também destacar com um detalhe o verde na mesa do altar.

8. AÇÃO RITUAL

A segunda leitura nos propõe paixão pela unidade. Nesse sentido, nos ritos iniciais, a comunidade constitui um só corpo no Senhor que nos congrega. Um gesto fraterno de acolhimento entre as pessoas logo no início da celebração, mostra a compaixão do nosso Deus para com todos. O Evangelho narra que foi um menino que trouxe os cinco pães e os dois peixes no momento de saciar a fome da multidão. Colocar crianças pra acolher o povo que vem chegando para a celebração.

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado.

2. A opção “d”, do Missal Romano para a saudação presidencial é muito oportuna para iluminar o sentido litúrgico deste domingo:

“O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco” (Romanos 15,13).

1. O sentido litúrgico, após a saudação do presidente, pode ser feito por quem preside, pelo diácono ou um ministro devidamente preparado como orienta o Missal Romano, na página 390, número 3, com palavras semelhantes às que seguem:

Domingo da multiplicação dos pães. Jesus é o Bom Pastor, por compaixão, cuidado e ternura, alimenta a multidão faminta. Reunimo-nos, hoje, ao redor de sua mesa, sabendo que não voltaremos para casa sem antes nos ter saciados com sua Palavra e com os dos da Eucaristia, sua vida dada pela salvação do mundo. O gesto de Jesus nos convoca a lutar contra a fome e a miséria, grande pecado da humanidade.

2. Em seguida fazer a “recordação da vida” trazendo os fatos que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida da comunidade, do país e do mundo, mas de forma orante e não como noticiário.  Deve ter presente a realidade de sofrimento em que vive hoje a multidão de empobrecidos, a grande massa sobrante e excluída do processo de desenvolvimento social, econômico e político em nosso país e no mundo usando alguns símbolos. Trazer os acontecimentos de maneira orante e não como noticiário.

3. Rezar ou cantar o Ato Penitencial da formula 4, para os domingos do Tempo Comum na página 394 do Missal Romano, que evidencia a preocupação de Deus para com os excluídos.

Senhor, que vieste procurar quem estava perdido, tende piedade de nós...

4. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

5. Na Oração do Dia supliquemos a Deus nosso amparo, que nos ajudem a usar dos bens deste mundo de maneira fraterna para que possamos abraçar os bens eternos.

Rito da Palavra

1. As preces, como ressonância da Palavra proclamada, sejam elevadas do Ambão, evitando-se formas indiretas: “para que...”, “pela nossa...”, “a fim de que...”. recordem o aspecto memorial e a suplica seja feita com base no que foi recordado. São formas de se valorizar a Palavra na celebração. Ao formular as preces não deixar de contemplar a fome do mundo: de pão, de trabalho, de saúde, de educação. De vida digna que Deus concede a todos, mas que, infelizmente, não repartimos.

Rito da Eucaristia

1. Na preparação das oferendas, incluir produtos da roça, frutos da terra e do trabalho agrícola, além de pães que possam ser abençoados e, no final da celebração ser partilhado. Valorizar nesse dia a procissão das oferendas levadas pelos próprios fiéis, especialmente por crianças, pois “embora os fiéis já não tragam de casa, como outrora, o pão e o vinho destinados à liturgia, o rito de levá-los ao altar conserva a mesma força e significado espiritual” (IGMR, nº 73).

2. Na Oração sobre o pão e o vinho suplicamos a Deus que o mistério da Eucaristia nos santifique na vida presente e nos conduza à vida eterna.

3. A mesa eucarística seja expressão daquilo que foi proclamado no Evangelho. Além das observações do domingo anterior, seria muito conveniente o uso de pães ázimos em lugar de hóstias.

5. A Oração Eucarística VI-D – Jesus que passa fazendo o bem – ajudará a ressaltar o caráter de compaixão da comunidade cristã com as palavras do prefácio: “Ele sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados”.

6. Se for escolhida outra oração eucarística sugerimos o Prefácio Comum V, página 460 do Missal Romano o qual evidencia “a caridade”. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza “Unidos na caridade, celebramos a morte do vosso Filho, proclamamos com fé a sua ressurreição e aguardamos, com firme esperança, a sua vinda gloriosa no fim dos tempos”. Outra opção é o Prefácio para os Domingos do Tempo Comum I, o qual evidencia o “Povo de Deus, para anunciar suas maravilhas”, página 428 do Missal, cujo embolismo reza “Por ele, vós nos chamastes das trevas à vossa luz incomparável, fazendo-nos passar do pecado e da morte à glória de sermos o vosso povo, sacerdócio régio e nação santa, para anunciar, por todo o mundo, as vossas maravilhas”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

7. Quem preside deve realçar bem o gesto da “fração do pão” acompanhado pelo canto do “Cordeiro de Deus”. Para preservar o caráter de ladainha do Cordeiro de Deus, seria interessante que um solista cantasse a primeira parte e a assembléia respondesse o tende piedade de nós e por último o dai-nos a paz. Quando se usa o pão ázimo demora-se mais para terminar a fração do pão. É bom saber que o canto do “Cordeiro de Deus”, deve durar até o término da fração do pão como diz o Missal Romano e não somente cantar três vezes.

8. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em duas espécies, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. Na Oração depois da comunhão suplicamos que a Deus que a Eucaristia, memorial da Paixão do Cristo, dom inefável e caridade de Deus nos traga a salvação.

2. No envio em missão, sejam propostos gestos concretos de partilha e ações de solidariedade para serem assumidos pela comunidade durante a semana. O milagre da multiplicação acontece, em especial, pelo nosso empenho coletivo contra a miséria e a fome, que não se reduz apenas a nível de emergência, mas também estrutural, educacional e político. Como gesto concreto, podemos ver em nosso bairro famílias que estão passando por dificuldade como doença, desemprego e sermos solidários. Mesmo os avisos não deixem de recordar aos fiéis todas as iniciativas da comunidade para acabar com a fome.

3. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Tendes compaixão dos necessitados. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje, comendo o pão à mesa do Senhor, a gente se recorda que a multiplicação dos pães é apenas sinal do banquete que Deus prepara todos os povos e, amo mesmo tempo, é o começo de um tempo novo, sem sofrimento e sem fome. A eucaristia nos convida a abrir as mãos e o coração para apressar a vinda deste tempo de fartura que esperamos.

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor valorizando os que assumem a sua missão em nossa diocese e no mundo inteiro aliviando a fome de muitas pessoas.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           
Pe. Benedito Mazeti

sábado, 18 de julho de 2015

“JESUS VIU UMA NUMEROSA MULTIDÃO E TEVE COMPAIXÃO PORQUE ERAM COMO OVELHAS SEM PASTOR”

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM
ANO B
19 de julho de 2015

Leituras

         Jeremias 23,23,1-6. Suscitarei para elas novos pastores.
         Salmo 22/23,1-6. Ele me guia no caminho mais seguro.
         Efésios 2,13-18. Ele aboliu a lei com seus mandamentos e decretos.
        Marcos 6,30-34. Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco.

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da volta dos Doze. Em cada celebração fazemos memória da Páscoa de Jesus ressuscitado e vivo no meio de nós. Hoje nós o contemplamos como Mestre  que se revela muito próximo e íntimo dos discípulos e se comove diante da multidão faminta e desamparada que o cerca.

Como Bom Pastor, Ele se compadece de nossos sofrimentos, guia-nos, fortalece-nos e defende nossa vida.

Hoje, a Páscoa de Jesus se prolonga na vida de tantas pessoas que são movidas em missão, em seu trabalho pastoral, pela mística da compaixão, da ternura e da doação, vencendo todo o tipo de autoritarismo, esnobismo e exploração interesseira.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Jeremias 23,1-6. Os profetas do Primeiro Testamento criticaram o presente (cf. versículos 1-2a) à luz da ação de Deus no passado (cf. versículos 5.7-8) e prometeram um futuro melhor da parte de Deus (versículos 2b.6). Nas suas denúncias os profetas responsabilizaram antes de tudo as classes que exerciam a liderança política, judicial, econômica, militar e religiosa, aqui todas indicadas como a palavra “os pastores” (versículos 1-2a). Do povo em geral denunciam-se especialmente as crenças e práticas heterodoxas e cheias de superstições, junto com os desvios morais etc. Essas doutrinas práticas religiosas erradas e morais junto com os fracassos e desgraças nas gestões políticas, econômicas e militares são denunciadas como conseqüências da falta de responsabilidade, de omissão e de exploração das classes dominantes. O povo em geral é visto como vítima e como rebanho por elas transviado e traído.

Essa interpretação profética da realidade, aponta que os lideres são responsáveis pela má situação do povo, os profetas dirigem geralmente a eles e contra eles suas profecias que, neste contexto, assumem a forma e o conteúdo de denúncias e ameaças. Poucas vezes os profetas apelaram à responsabilidade do povo. Proclamam que Deus mesmo intervirá. Ele destruirá os lideres e lideranças erradas, salvará o povo e lhe dará novos líderes que guiarão o povo com justiça (cf. versículos 3-4).

A primeira leitura e o Evangelho trazem presente a figura do pastor, como no 4º Domingo da Páscoa. O profeta Jeremias faz uma acusação contundente aos pastores que traíram as esperanças do povo, especialmente o rei Sedecias, cujo nome significa “Justiça de Deus”, mas na prática impunha sua justiça contra o povo, em nome de Deus.

Jeremias garante ao povo que nem tudo está perdido. Deus mesmo vai cuidar de seu povo e lhe dará um pastor segundo o seu coração, um Messias que se chamará “O Senhor é nossa justiça”. A justiça e o direito expressam a vontade de Deus.

Salmo responsorial 22,1-3a.3b-4.5-6. É um Salmo de confiança em Deus. A solicitude divina para com os justos, descrita com a dupla imagem do pastor (versículos 1-4) e do hospedeiro que oferece o festim messiânico (versículos 5-6). Este salmo é tradicionalmente aplicado à vida sacramental, especialmente ao Batismo e à Eucaristia.

É um dos salmos mais conhecidos e belos do saltério, aplica ao próprio Deus a humilde imagem do “pastor” como expressão de terno cuidado e guia segura que Ele tem para com um rebanho amado e protegido (versículos 2-4). Além disso, recupera o tema da “unção” do fiel como sinal de predileção e de dignidade (versículos 5-6).

Nos versículos de 1-4, o tema pastoril fornece algumas imagens fundamentais: verde, água, caminho. A última imagem conjura o grande perigo, a escuridão temerosa plenamente superada. Na segunda parte versículos 5-6 adianta-se o plano real, imediato: a experiência religiosa tem lugar no Templo de Jerusalém. Ali a pessoa humana encontra asilo frente ao opressor, participa na mesa do banquete sagrado, recebe a unção que o consagra. A experiência religiosa intensa converte-se em esperança e desejo para toda a vida.

O rosto de Deus no Salmo 22. Sem dúvida é uma das imagens mais bonitas do Primeiro Testamento que mostra Deus como pastor. Outras imagens também mostram o rosto de Deus como hospedeiro, libertador e aliado. Jesus no Evangelho de João, assume as características de Javé pastor, libertador e aliado (João 10). Jesus é esse pastor que se compadece do povo explorado. Ele caminha à frente de seu rebanho, tanto para chegar ao pasto e à água, como para voltar ao curral de repouso, já na escuridão da noite. Este salmo é tradicionalmente aplicado à vida sacramental, especialmente ao Batismo e à Eucaristia.

Por este salmo, peçamos ao Senhor que restaure as nossas forças, que derrame sobre nós o óleo do seu amor e faça de nós instrumentos de salvação, no meio de nossas comunidades.

O SENHOR É O PASTOR QUE ME CONDUZ:
 FELICIDADE E TODO O BEM HÃO DE SEGUIR-ME!

Segunda leitura – Efésios 2,13-18. Este trecho da carta aos efésios pode ser considerado o centro teológico da carta. Paulo mostra a Igreja como o lugar onde as pessoas das mais diferentes condições estão juntas. A Igreja não nasce do acordo ou da decisão dos seus membros, é anterior a eles, é fruto do sangue de Cristo derramado na cruz. Portanto, a Igreja não é uma invenção humana.

O sangue de Cristo trouxe paz ao mundo, paz que inclui em si a destruição dos muros que dividiam as pessoas, dos quais o muro do Templo de Jerusalém que separava o átrio dos pagãos era um sinal vivo e concreto; e das leis de morte, das quais a judaica da pureza e impureza se tornara um modelo, por exigir sem dar condições de observância.

Cristo estabeleceu a paz entre as pessoas e entre as pessoas e Deus. Destruiu os muros que separavam as pessoas, e de uma vez por todas cumpriu a lei pela morte de cruz (Colossesnses 2,14). A paz messiânica prometida pelos profetas, tornou-se uma realidade pela morte de Cristo (Colossesnses 1,22) e na fundação da Igreja (1Coríntios 12,12). O próprio Cristo, pela sua boca e dos apóstolos, anunciou a paz realizada, congregando as pessoas ao redor do único Espírito. Em outras palavras, o Espírito que vivifica a Igreja é o motivo da união entre as pessoas.

O apóstolo Paulo conclui, nesta passagem, uma exposição sobre um dos frutos mais importantes da obra redentora de Cristo: a reunião dos judeus e dos pagãos na única Igreja de Deus.

Cristo é a paz em duplo sentido: porque inaugura um novo modelo de humanidade, no qual esfumam-se as diferenças entre judeus e pagãos (versículos 14-16), e porque edificou a paz entre Deus e a humanidade, por sua morte na cruz (versículo 16) e pelo dom do Espírito (versículo 18).

Deste modo, Cristo proclamou e realizou a paz anunciada e pregada pelos profetas (Isaias 57,19), instaurando relações normais com as pessoas, e entre elas e Deus, com tanta competência que os mais afastados ouvem e aceitam sua mensagem, assim como as pessoas que estão próximas.

A fé em Cristo-paz entre Deus e as pessoas e entre as próprias pessoas reflete automaticamente na participação que tem o cristão nos esforços da humanidade por uma paz maior no mundo.

Esta leitura é um hino cristológico. Cristo é a paz e quem nos traz a paz; Ele derruba a parede divisória entre judeus e pagãos, que eram desconsiderados pelos primeiros. Como pastor, Cristo reúne a todos como um só rebanho. Não há mais discriminação e Deus nos chama para participar de seu Reino.

No Senhor ressuscitado desaparecem antagonismos e injustiças que fazem com que os homens e mulheres não se entendam entre si. O Evangelho é uma mensagem de caráter universal, derruba os muros sociais, políticos, econômicos, culturais e irmana todos numa fraterna comunhão.

Evangelho – Marcos 6,30-34. Esta passagem inaugura um conjunto que podemos chamar com o nome de “seção dos pães” (Marcos 6,31-8,26), que gira em torno da narrativa das duas multiplicações dos pães. Dos três evangelistas, Marcos foi o que melhor redigiu esta seção.

Na passagem lida hoje na liturgia, Marcos se preocupa em conduzir Jesus ao deserto por uma série de acontecimentos que parecem ter apenas um simples relato com poucas palavras, episódios encarregados de operar a transição entre as duas partes do Evangelho. Fala da volta dos apóstolos (versículo 30), de seu repouso (versículo 31) e das multidões que vão atrás de Jesus.

O tema do rebanho sem pastor é tomado de Números 27,17 onde ele reflete a preocupação de Moisés em encontrar para si um sucessor, a fim de não deixar o povo sem direção (Ezequiel 34,5). Cristo se apresenta assim como esse sucessor de Moisés, capaz de retomar em suas mãos o rebanho, de nutri-lo com alimentos de vida e de conduzi-lo às pastagens definitivas. Toda a seção dos pães é formada de tal maneira que Cristo apareça efetivamente como o este “Novo Moisés” oferecendo o verdadeiro maná (Marcos 6,35-44; 8,1-10), triunfando, por sua vez, sobre as águas do mar (Marcos 6,45-52), libertando o povo do legalismo ao qual os fariseus tinham levado a lei de Moisés (Marcos 7,1-13) e abrindo aos próprios pagãos o acesso à Terra Prometida (Marcos 7,24-37).

Cristo pode reivindicar o título de “Novo Moisés” porque, em sua vida pessoal, restabeleceu a obediência à lei, no regime da fé e da íntima ligação com o Pai. Ele realizou em sua própria carne a fidelidade requerida pela verdadeira aliança. Sendo assim Ele pode propor-se como exemplo para toda a humanidade.

Não é pelo “bom exemplo” moral dos cristãos que Cristo se manifesta ao mundo, pois a ética pode ser reivindicada tanto pelos ateus quanto pelos cristãos. O verdadeiro sinal da presença de Jesus Cristo no mundo está na fé com a qual o cristão se prende a Deus que é o “Todo-Outro”, na defrontação das provações quotidianas, dos desafios da morte e do pecado pelos grandes problemas da guerra, do terrorismo, da crise mundial, da fome e da injustiça social.

Precisamos entender que o Evangelho nos apresenta duas cenas. Na primeira aparecem os apóstolos cansados, mas felizes e cheios de entusiasmo pelo bom êxito da missão e por tudo o que tinham conseguido realizar. Jesus os convida amigavelmente a se retirarem para um lugar sossegado, à solidão do deserto, a fim de refazerem suas forças e buscarem maior intimidade com o Pai, pela oração. No Evangelho de Marcos e em outros textos bíblicos, o deserto é o lugar onde Deus fala a seu povo.

É indispensável para a missão o espaço da oração, o cultivo da relação íntima e pessoal com Deus. É Ele quem anima e dá forças para enfrentar todas as dificuldades que apóstolos e apóstolas de todos os tempos vão encontrar.

A segunda cena apresenta a chegada da multidão: povo abandonado e desprezado pelos maus governantes, maus pastores que, pela corrupção, abuso do poder, busca de interesses pessoais e total descaso pelo povo, provocavam o triste drama da miséria cada vez maior das multidões de miseráveis, excluídas do sistema do Império Romano que só beneficiava uma minoria de privilegiados.

Diante dessa multidão sofrida, Jesus moveu-se de compaixão, um traço característico de Deus. Deixa-se estremecer por dentro, tem um sentimento profundo como dores de parto, escuta o gemido e suas entranhas comovem-se porque os pastores haviam abandonado seu povo nas mãos de estranhos e exploradores.
A eucaristia é o lugar por excelência do renascimento desta moral, porque ela une novamente, de maneira viva, o cristão ao acontecimento máximo no qual Jesus Cristo expressou sua fidelidade ao desígnio misterioso de seu Pai.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Pastor ou pastora é quem tem responsabilidade pelo bem de outras pessoas. A atitude de Jesus nos lembra que esta é a forma de ser de Deus e também deve caracterizar a comunidade cristã. No seguimento de Jesus, somos ovelhas e pastores, convocados a viver a “compaixão/sentir com” os pobres, ser “pastores amorosos”, responsáveis pela sorte, pela vida, pela paz, pela felicidade dos irmãos e irmãs.

O que significa ser pastor hoje? O que é um mau pastor? As lideranças políticas, religiosas, sindicais, dos movimentos sociais agem como bons pastores? Que tipo de pastor você e na sua família, na comunidade em seu local de trabalho? São perguntas que freqüentemente precisamos nos fazer para não cairmos no ativismo.

Ser pastor e pastora hoje é desenvolver a ética do cuidado, da compaixão, da ternura. É perceber que o outro é o meu semelhante, meu irmão. Todo o nosso culto a Deus, todo rito, todo sacramento deve ter como centro o seguimento de Jesus, caminho, verdade e vida. Ser pastor é ser presença solidária junto dos esquecidos, que estão dentro do coração de Deus. É cuidar do planeta Terra, assumindo, no respeito ilimitado a todo ser, a responsabilidade diante do futuro do nosso planeta.

Ser pastor é se fazer escutar pelas ovelhas, despertar no coração do povo confiança e esperança. Não se trata de palavras vazias, superficiais, fora do tempo. Trata-se de tocar o coração do povo com o amor e a compaixão de Jesus, para construir alternativas de vida e sobrevivência.

Jesus traz a paz a todos sem exceção, porque vem da parte de Deus, e Deus nos tem por filhos e filhas. A divisão entre judeus e pagãos, crentes e não-crentes, brancos e negros, homem e mulher, ou qualquer outra oposição, não pode ser aceita por nós.

O convite de Jesus para ir a um lugar tranqüilo e descansar um pouco não é detalhe que destoa do resto do Evangelho. É importante que em nossas comunidades criemos espaço para o descanso, o lazer, a convivência prazerosa. A vida cristã não se reduz a preceitos, normas, pecados, obrigações, orações, devoções, abstinências, jejuns, esmolas, apenas... mas é bom caprichar na gratuidade, no aconchego, no convívio alegre e fraterno.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

O Bom Pastor não desampara

O conhecido e apreciado Salmo 22/23, também chamado de “salmo do Bom Pastor” é de fato uma das “pérolas” do livro dos salmos. A sua beleza poética e riqueza de imagens encantam cristãos, judeus e até pessoas de outras religiões. O mais belo deste salmo talvez seja a forma de tratamento que reconhecemos receber de Deus: “mesa farta”, “águas tranqüilas”, segurança, bem-estar... é a imagem do “Deus protetor”. Aquele que não desampara sua criação, provendo-lhe vida e salvação...
Mas nos salmos, como ensina santo Agostinho no comentário do Salmo 98, devemos procurar Cristo. E com esse mesmo olhar e inteligência que cantamos o salmo 22/23. Pois Cristo é o Pastor que nos conduz à vida plena com sua Ressurreição. É Ele quem nos conduziu à fé, fruto da Palavra que nutre e dá sentido à nossa vida, qual prado verdejante para o rebanho. Assim nutridos, passamos pelas “águas repousantes e tranqüilas” do Batismo e nos saciamos nas delícias da mesa eucarística, onde participamos do banquete do Reino, preparado para nós.

Jesus Pastor e Guia

Jesus, o Pastor escatológico, prenunciado pelo profeta Jeremias, tem cuidado agregador na condução do rebanho do Pai. Com  seu sangue, “traz-nos para perto”de si,  a nós que andávamos distanciados Dele e de seu projeto. Sob seu comando, caem todos os muros que separam “judeus e gentios”. Pasto e Guia, Ele não se distancia de nós, mas se senta à mesa conosco para cear, conforme rezamos na antífona de comunhão: “Eis que estou à porta e bato, diz o Senhor: se alguém ouvir a minha voz e abrir, eu entrarei e cearemos juntos” (Apocalipse 3,20). O cuidado do Bom Pastor nos “cura” de todo sentimento de discriminação e exclusão, que nos torna racistas, classistas e preconceituosos. Quanto a nos, sendo também bons pastores uns para com os outros, nossas forças pastorais não de dispersarão. Viveremos uma prática pastoral forjada na compaixão e no zelo missionário. Nossa ação evangelizadora e nossas liturgias terão “vida”, vida e conteúdo e viveremos na paz o dom da unidade, sob o olhar compassivo daquele que nos governa com prudência: nosso rei-pastor Jesus Cristo, o “Senhor nossa justiça”.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Como rebanho, encontramo-nos no regaço de nosso Pastor para refazer as forças e ouvir a Palavra. A celebração nos afasta da correria dos afazeres da vida e da missão para permanecermos na intimidade do Senhor e prosseguirmos mais animados em nossa caminhada pascal.

Somos tocados pelo seu olhar compassivo. Sua presença amorosa se faz sentir na comunidade de irmãos que juntos celebram o sacramento da sua Palavra, a qual ecoa dos acontecimentos, dos textos bíblicos, da homilia, dos cantos e do silêncio. E, num diálogo de aliança e compromisso, respondemos, professando nossa fé e suplicando, desejosos que seu Reino venha logo.

Mas é no rito eucarístico que vivemos plena comunhão de aliança com o Senhor. Agradecidos, oferecemos com Ele nossa vida ao Pai que nos brinda com a ceia, sacramento da entrega de seu Filho na cruz.

Na comunhão de sua aliança, deixamo-nos tomar de compaixão pela multidão faminta, sofrida e desesperançada ao nosso redor. Pela força do Espírito, como bons pastores, assumimos doar nossa vida para que o mundo tenha vida e alegria.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Valorizemos os momentos de silêncio e oração durante a celebração.
2. Na celebração de hoje, referimos dois importantes elementos que se entrelaçam: a unidade da Igreja e os sacerdotes, pastores do povo de Deus. Diz o Catecismo da Igreja Católica, 815: “a unidade da Igreja peregrinante é também assegurada por vínculos visíveis de comunhão” e cita entre eles “a sucessão apostólica, por meio do sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus.” É oportuno, pois, na Oração dos Fiéis desta celebração, formular preces tanto pelos presbíteros quanto pela unidade da Igreja.

3. Lembrar que no dia 25, sábado a Igreja celebra a festa de São Tiago Maior Apóstolo. Ele era irmão do Apóstolo João e esteve presente nos principais milagres realizados por Jesus e também na Transfiguração. É venerado com grande devoção em Compostela, Espanha, onde há uma basílica dedicada a seu nome, que atrai a cada ano milhares e milhares de peregrinos. Informar também sobre a festa dos motoristas e dos agricultores, comemorada no dia 25 de julho, e se, for oportuno, dar uma bênção especial para os motoristas e seus veículos na celebração deste dia assim como aos agricultores presentes. Lembrar também que no dia 26 é dia dos Santos Joaquim e Ana pais de Maria. Neste dia dos avós, rezemos por todos eles e busquemos neles a sabedoria de vida.

4. O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Litúrgico IX”, produzido pela Paulus.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial. O Evangelho deste Domingo ressalta a compaixão do Bom Pastor pelo seu rebanho. A antífona de entrada realiza, de antemão, o que o Evangelho proclama. Convém, portanto, cantar a antífona “É Deus quem me abriga”, conforme propõe o Missal Romano e o Hinário

1. Canto de abertura.  Agradecimento a Deus que nos defende (Salmo 53/54,6.8). Para o canto de abertura, sugerimos este Salmo. “É Deus quem me abriga”, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 19. As estrofes são do Salmo 32/33, nos convida a alegrar-nos no Senhor que é bom, que cumpre o que promete.

Como canto de abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Isso não significa rigidez. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria “a tua Igreja vem feliz e unida agradecer-te a ti, ó Deus da vida”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão – “As Mais Belas Parábolas, CNBB/Paulus), melodia da faixa 6 é uma boa opção para iniciar a celebração

 2. Ato penitencial. “Senhor, servo de Deus, que libertastes a nossa fraqueza”, CD: Partes Fixas Ordinário da Missa, melodia da faixa 2. A letra é muito oportuna para este 15º Domingo do Tempo Comum

3. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas...” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Ver também nos outros CDs que citamos acima.

4. Salmo responsorial 22/23. “O Senhor é meu Pastor”. “O Senhor é o pastor que me conduz: felicidade e todo bem hão de seguir-me!”, mesma melodia da faixa 7 do CD: Liturgia IX.

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

5. Aclamação ao Evangelho. As ovelhas seguem o Bom Pastor (João 10,27). “Aleluia... Minhas ovelhas escutam minha voz”, CD: Liturgia VII, mesma melodia da faixa 7. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

6. Canto de Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, neste 16º Domingo do Tempo Comum mostrando a compaixão do Bom Pastor pelas ovelhas. Devemos ser oferendas com nossas oferendas. Expressemos nossa compaixão com os mais necessitados. “Sou Bom Pastor, ovelhas guardarei”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 10.

7. Canto de comunhão. “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. (Marcos 6,34). “Como ovelhas que vão sem pastor, nós queremos por ti ser cuidados”, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 16.

O Evangelho de hoje é contexto de deserto, onde Jesus se depara com a multidão desamparada e também nos introduz para a multiplicação dos pães no próximo Domingo. Outra ótima opção para o canto de comunhão seria “O pão da vida, a comunhão, nos une a Cristo e aos irmãos”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 16. Oferecemos ainda uma terceira opção: “Naquelas estradas empoeiradas da Galiléia”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão – As Mais Belas Parábolas, melodia da faixa 16. Estes cantos também permitem estabelecer e experimentar a unidade das duas mesas, considerando a Liturgia um único ato de culto. O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do dia. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

            1. Preparar o espaço da celebração bem festivo, porque cada domingo é Páscoa semanal. Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o altar.

2. Um ícone do Bom Pastor pode ficar em destaque no espaço celebrativo.

      3. A cor litúrgica é o verde nos paramentos no ambão. Pode-se também destacar com um detalhe o verde na mesa do altar.

9. AÇÃO RITUAL

Acolher de modo bem fraterno e alegre as pessoas presentes. Que todas possam experimentar a certeza e a satisfação de serem “rebanho de Cristo, o Bom Pastor”.

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado.

2. A opção “c”, do Missal Romano para a saudação presidencial é muito oportuna para iluminar o sentido litúrgico deste domingo:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco” (Romanos 15,13).

3. O sentido litúrgico, após a saudação do presidente, pode ser feito por quem preside, pelo diácono ou um ministro devidamente preparado com palavras semelhantes às que seguem:

Domingo da volta dos Doze Apóstolos. Jesus é o Bom Pastor, Aquele que ama e cuida do seu povo. Todos aqueles que recebem a tarefa de velar sobre o povo de Deus é servidor deste mesmo povo. O Bom Pastor traz a felicidade e todo bem ao mundo, gera a união, faz acontecer a verdadeira unidade.

4. Em seguida fazer a “recordação da vida” trazendo os fatos que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida da comunidade, do país e do mundo, mas de forma orante e não como noticiário.  Deve ter presente a realidade de sofrimento em que vive hoje a multidão de empobrecidos, a grande massa sobrante e excluída do processo de desenvolvimento social, econômico e político em nosso país e no mundo usando alguns símbolos. A primeira leitura sugere forte ligação com o momento político atual e ano de eleições.

5. Se a opção é rezar o ato penitencial, sugerimos que a motivação para o Ato Penitencial seja a fórmula I da página 390 do Missal Romano:

O Senhor Jesus, que nos convida à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama à conversão.

Após uns momentos de silêncio cantar:

Senhor, servo de Deus, que libertastes a nossa vida, tende piedade de nós!
(CD: Partes Fixas, Ordinário da Missa, melodia da faixa 2)

Outra opção para o Ato Penitencial é a formula 4, para os domingos do Tempo Comum na página 394 do Missal Romano, que evidencia a preocupação de Deus para com os excluídos.

Senhor, que vieste procurar quem estava perdido, tende piedade de nós.

6. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

7. Na Oração do Dia supliquemos a Deus que é generoso para com todos que sejamos repletos de fé, esperança e caridade possamos cumprir a vontade do Pai.

Rito da Palavra

1. As leituras, bem preparadas e proclamadas pelos ministros leitores, ajudarão as comunidades a se desprenderem dos folhetos e a acolher a Palavra de Deus como discípulos atentos que ouvem o próprio Cristo que lhes fala ao coração.

2. O Salmo responsorial, muito caro à piedade do povo, seja cantado, de tal forma que a assembléia responda à primeira leitura de forma orante e piedosa.

3. As preces, como ressonância da Palavra proclamada, sejam elevadas do Ambão, evitando-se formas indiretas: “para que...”, “pela nossa...”, “a fim de que...”. recordem o aspecto memorial e a suplica seja feita com base no que foi recordado. São formas de se valorizar a Palavra na celebração. Nas preces, a comunidade se recorde de incluir pedidos, em forma de ladainha:

- pela unidade e pela paz.
- pelos “pastores” do povo de Deus, inclusive pelas vocações...
- pelo tema da compaixão.
- que, de forma dinâmica, lembrem as várias pessoas que ao longo de nossa vida    
              desempenharam o serviço de pastores da comunidade, daqueles que deram a
              vida pela causa de Cristo, tanto de dentro da comunidade, como de fora.
            - que enfatizem a ação do Espírito Santo, especialmente a partir da 2ª leitura,
              como ação geradora da paz e da unidade.

Rito da Eucaristia

1. Na Oração sobre o pão e o vinho suplicamos a Deus que santifique o nosso sacrifício para que os dons de cada um sirvam para a salvação de todos.

2. Se for escolhida outra oração eucarística sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum VIII, página 435 do Missal Romano o qual evidencia o qual evidencia a reunião escatológica em Cristo. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza “Quisestes reunir de novo, pelo sangue do vosso Filho e pela graça do Espírito Santo, os filhos dispersos pelo pecado. Vossa Igreja, reunida pela unidade da Trindade, é para o mundo o Corpo de Cristo e o Templo do Espírito Santo para a glória da vossa sabedoria”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

3. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

4. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em duas espécies, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. Na Oração depois da comunhão suplicamos que a Deus que fique conosco para que passemos a uma vida nova.

2. Pode-se explorar o tema do envio, da missão, nos avisos ao final da celebração, mas sem longos discursos. Disponha-se, pois, os avisos da comunidade na perspectiva da missão da semana, missão da comunidade de Cristo que queremos ser.

3. Dar uma bênção especial para os avós.

4. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Tendes em vós os mesmos sentimentos que haviam em Cristo Jesus”. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”.

5. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

6. No final da celebração, fazer um envio missionário.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A celebração de hoje nos convida a ter “compaixão da multidão”, do povo de Deus, mas de modo inteligente, crítico evangélico, organizado. Enfim: exercer uma “caridade política”, isto é, de transformação segundo as exigências do momento histórico.

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor valorizando os que assumem a sua missão em nossa diocese e no mundo inteiro aliviando os sofrimentos das pessoas.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           

Pe. Benedito Mazeti