CELEBRAR O NATAL: UM CONVITE A EVANGELIZAÇÃO[1].
Edemilton dos Santos*
Celebrar o Natal é mergulhar no mistério celebrado, viver a
intensidade do mesmo e preparar o coração, os pés e as mãos para a
Evangelização.
Para entender o processo do Natal vamos usar a imagem de uma
escada de nove degraus. Ela está dividida em três partes: quatro degraus que
fazem chegar ao quinto e mais quatro que descem do quinto degrau. Esta imagem
nos permite vivenciar uma trajetória mistagógica do Natal. Os quatro primeiros
degraus representam o Advento que nos prepara para a grande celebração do
Natal. O quinto degrau é o Natal. Os outros quatro degraus são as festas que
seguem o Natal até chegar ao Batismo do Senhor. Depois do Batismo Jesus saiu
para Evangelizar. Celebrar o Batismo do Senhor é recordar o nosso batismo e a
missão de sermos evangelizadores no mundo.
Tomando como ponto de partida as celebrações litúrgicas do
Tempo do Advento e do Natal do Ano B, o qual iremos vivenciar e celebrar, vamos
entender como as celebrações destes tempos podem nos ajudar a evangelizar.
O primeiro domingo do Advento nos convida a sermos
vigilantes com amor. Quer dizer, reconhecer que o amor de Deus está em nós e
que dele necessitamos para vivermos humanamente com o coração vigilante. O
segundo Domingo nos ajuda a entender a volta para Deus. Endireitar os caminhos
significa tomar consciência que precisamos da misericórdia de Deus, porém não
de maneira superficial. Precisamos fazer a experiência da crucificação junto
com Jesus, onde se encontra a fonte do perdão. Crucificar-se com Jesus é
assumir, mesmo que seja dolorido, uma mudança radical de vida. Subindo o
terceiro degrau da imagem proposta no inicio do texto, encontramos o terceiro
Domingo do Advento que chama a comunidade reunida a viver a alegria da
aproximação do Natal. Aqui a Liturgia da Palavra convida a alegria porque o
Senhor está perto. Cuidado com a alegria vivenciada entre nós. A afinidade da
raça, ambiente social e interesses comuns podem trazer alegria. No entanto não
é só desta alegria que a liturgia nos fala. Nos convida vivermos a alegria na
diversidade, que pode não ser tão natural e fácil, mas é mais verdadeira. Quer
dizer, abrir o nosso coração para acolher o diferente. O quarto Domingo
apresenta o anúncio do Nascimento de Jesus. A Revelação Plena de Deus para a
humanidade. O convite feito a comunidade reunida é de acolher a proposta de
Jesus Cristo no seio do coração de cada um de nós.
Ao chegar a celebração do Natal a Luz de Jesus menino nos
envolve. Em todas as celebrações a comunidade é convidada a mergulhar no fato
novo fazendo memória do Nascimento de Jesus, “o verbo que se fez carne e veio
habitar entre nós” (Jo 1,14). É preciso realizar o movimento dos pastores: sair
do campo e ir a Belém. Juntar a nossa voz e a voz dos anjos e dos santos para
cantar a alegria da encarnação do Verbo entre a humanidade.
A Solenidade do Natal representa, na imagem que nos propomos
da escada, o quinto degrau. Permanecer nele poderia se cômodo e fácil. No
entanto, o cristão que é comprometido com a causa do Reino não se acomoda e
parte para a missão de Evangelizar. Muitas vezes a tarefa de Evangelizar está
mais no testemunho que nas palavras. Este é o desafio que nos apresenta os
outros quatro degraus: preparar o coração, os pés e as mãos para Evangelizar.
Na oitava do Natal, ao celebrarmos a Sagrada Família de
Nazaré, a Liturgia nos convida a olhar para as estruturas familiares do nosso
tempo e como reavivar o amor no ambiente familiar. Na Solenidade de Santa
Maria, Mãe de Deus a Liturgia convida para olhar a pessoa de Maria como a
mulher que se coloca a serviço de Deus para a que a plenitude do Amor Divino
venha habitar entre a humanidade. Descendo mais um degrau encontramos a
Epifania, isto é, o Filho de Deus se manifesta ao mundo. Chegando ao quarto
degrau temos a Festa do Batismo do Senhor. Nela somos chamados a viver a
intensidade do nosso batismo inseridos na comunidade cristã.
Subindo os degraus do Advento, chegando a solenidade do
Natal e descendo os degraus do Tempo do Natal, mergulhados neste mistério,
somos convocados a Evangelizar. Evangelizar significa dar a Boa Notícia de Deus
para a humanidade. Essa Boa Notícia nada mais é do que o Amor de Deus derramado
na humanidade pela vinda do Filho que nasceu entre a humanidade. É seguir os passos
de Jesus desde o nascimento até a Ascenção. É esvaziar-se de todo o orgulho
para fazer a experiência do amor, tanto no levar como no receber.
A Liturgia do Natal, tanto do Advento como do Natal é o
convite por excelência a Evangelização. O Processo gradativo e mistagógico de
toda a ação litúrgica é o convite de Deus para levar a mensagem ouvida e
refletida nas paredes do Templo da Comunidade reunida para o mundo onde o
cristão habita diariamente. Esse é um impulso evangelizador do amor, assim como
orienta o Papa Francisco: “a primeira motivação para evangelizar é o amor que
recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele, que nos impele
a ama-Lo cada vez mais” (EG 264). Eis o compromisso cristão!

Nenhum comentário:
Postar um comentário