terça-feira, 9 de dezembro de 2014

NATAL: TEMPO DE AMOR I.

CELEBRAR O NATAL: UM CONVITE A EVANGELIZAÇÃO[1].

Edemilton dos Santos*

Celebrar o Natal é mergulhar no mistério celebrado, viver a intensidade do mesmo e preparar o coração, os pés e as mãos para a Evangelização.

Para entender o processo do Natal vamos usar a imagem de uma escada de nove degraus. Ela está dividida em três partes: quatro degraus que fazem chegar ao quinto e mais quatro que descem do quinto degrau. Esta imagem nos permite vivenciar uma trajetória mistagógica do Natal. Os quatro primeiros degraus representam o Advento que nos prepara para a grande celebração do Natal. O quinto degrau é o Natal. Os outros quatro degraus são as festas que seguem o Natal até chegar ao Batismo do Senhor. Depois do Batismo Jesus saiu para Evangelizar. Celebrar o Batismo do Senhor é recordar o nosso batismo e a missão de sermos evangelizadores no mundo.

Tomando como ponto de partida as celebrações litúrgicas do Tempo do Advento e do Natal do Ano B, o qual iremos vivenciar e celebrar, vamos entender como as celebrações destes tempos podem nos ajudar a evangelizar.

O primeiro domingo do Advento nos convida a sermos vigilantes com amor. Quer dizer, reconhecer que o amor de Deus está em nós e que dele necessitamos para vivermos humanamente com o coração vigilante. O segundo Domingo nos ajuda a entender a volta para Deus. Endireitar os caminhos significa tomar consciência que precisamos da misericórdia de Deus, porém não de maneira superficial. Precisamos fazer a experiência da crucificação junto com Jesus, onde se encontra a fonte do perdão. Crucificar-se com Jesus é assumir, mesmo que seja dolorido, uma mudança radical de vida. Subindo o terceiro degrau da imagem proposta no inicio do texto, encontramos o terceiro Domingo do Advento que chama a comunidade reunida a viver a alegria da aproximação do Natal. Aqui a Liturgia da Palavra convida a alegria porque o Senhor está perto. Cuidado com a alegria vivenciada entre nós. A afinidade da raça, ambiente social e interesses comuns podem trazer alegria. No entanto não é só desta alegria que a liturgia nos fala. Nos convida vivermos a alegria na diversidade, que pode não ser tão natural e fácil, mas é mais verdadeira. Quer dizer, abrir o nosso coração para acolher o diferente. O quarto Domingo apresenta o anúncio do Nascimento de Jesus. A Revelação Plena de Deus para a humanidade. O convite feito a comunidade reunida é de acolher a proposta de Jesus Cristo no seio do coração de cada um de nós.

Ao chegar a celebração do Natal a Luz de Jesus menino nos envolve. Em todas as celebrações a comunidade é convidada a mergulhar no fato novo fazendo memória do Nascimento de Jesus, “o verbo que se fez carne e veio habitar entre nós” (Jo 1,14). É preciso realizar o movimento dos pastores: sair do campo e ir a Belém. Juntar a nossa voz e a voz dos anjos e dos santos para cantar a alegria da encarnação do Verbo entre a humanidade.

A Solenidade do Natal representa, na imagem que nos propomos da escada, o quinto degrau. Permanecer nele poderia se cômodo e fácil. No entanto, o cristão que é comprometido com a causa do Reino não se acomoda e parte para a missão de Evangelizar. Muitas vezes a tarefa de Evangelizar está mais no testemunho que nas palavras. Este é o desafio que nos apresenta os outros quatro degraus: preparar o coração, os pés e as mãos para Evangelizar.

Na oitava do Natal, ao celebrarmos a Sagrada Família de Nazaré, a Liturgia nos convida a olhar para as estruturas familiares do nosso tempo e como reavivar o amor no ambiente familiar. Na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus a Liturgia convida para olhar a pessoa de Maria como a mulher que se coloca a serviço de Deus para a que a plenitude do Amor Divino venha habitar entre a humanidade. Descendo mais um degrau encontramos a Epifania, isto é, o Filho de Deus se manifesta ao mundo. Chegando ao quarto degrau temos a Festa do Batismo do Senhor. Nela somos chamados a viver a intensidade do nosso batismo inseridos na comunidade cristã.
Subindo os degraus do Advento, chegando a solenidade do Natal e descendo os degraus do Tempo do Natal, mergulhados neste mistério, somos convocados a Evangelizar. Evangelizar significa dar a Boa Notícia de Deus para a humanidade. Essa Boa Notícia nada mais é do que o Amor de Deus derramado na humanidade pela vinda do Filho que nasceu entre a humanidade. É seguir os passos de Jesus desde o nascimento até a Ascenção. É esvaziar-se de todo o orgulho para fazer a experiência do amor, tanto no levar como no receber.

A Liturgia do Natal, tanto do Advento como do Natal é o convite por excelência a Evangelização. O Processo gradativo e mistagógico de toda a ação litúrgica é o convite de Deus para levar a mensagem ouvida e refletida nas paredes do Templo da Comunidade reunida para o mundo onde o cristão habita diariamente. Esse é um impulso evangelizador do amor, assim como orienta o Papa Francisco: “a primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele, que nos impele a ama-Lo cada vez mais” (EG 264). Eis o compromisso cristão!



[1] Texto publicado no Informativo Bertheriano, ano 36, nº 109, Setembro a Dezembro, 2014.
* Vocacionado MSF e Professor no Colégio Medianeira, Rede Verzeri, Santiago, RS e membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica, 

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