A Igreja celebra
o 9º Domingo do Tempo Comum. O Tempo Comum é o tempo em que somos chamados a
olhar para os ensinamentos de Jesus e sua atuação junto ao povo sofrido e
excluído do seu tempo, por causa de um poder opressor que visava mais a lei que
a vida humana.
Neste Domingo, a
antífona da entrada conclama: “Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois
vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus
pecados”[1]. A Oração da coleta dirige uma súplica a Deus: “[...]
afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil. [...]”[2]. A
oração final ou Depois da comunhão, dividida em duas partes, na primeira
suplica a Deus que o seu povo, nós, sejamos governados pelo seu Espírito agora
que nutridos pelo Corpo e Sangue do Filho. Na segunda parte, é uma súplica
importante para a missão. Assim diz: “Dai-nos proclamar nossa fé não somente em
palavras, mas também na verdade de nossas ações para que mereçamos entrar no
reino dos céus”[3].
O Evangelho (Mt
2,23-3,6) mostra a ação de Jesus em favor da vida. Ao ser visto arrancando
espigas recebe dos fariseus o seguinte comentário: “Olha! Por que eles fazem em
dia de sábado o que não é permitido?” (2,24). Depois de chamar a atenção deles
e citar o exemplo de Davi, Jesus os repreende dizendo: “O sábado foi feito para
o homem, e não o homem para o sábado” (2,27). Ao curar o homem da mão seca, Jesus
aponta para o que deve ser feito: chama o homem para o meio e questiona: “É
permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la
morrer?” (3,4). Depois disso, libertou o homem do seu mal. Os fariseus, com os
olhos fechados na lei, tentavam tramar contra Jesus.
A Primeira
Leitura (Dt 5, 12-15), chama a atenção e orienta o povo de Deus para a importância
do dia de descanso e, nesse dia, cuidar da fé, pois é o Dia do Senhor, dia de
fazer memoria da ação libertadora de Deus. O salmo de resposta (80/81) aponta
para um cântico que permite o humano abraçar a fé por meio de nossa força que
exulta no Senhor. A Segunda Leitura (2Cor 4, 6-11), Paulo testemunha as tribulações
sofridas, mas a presença de Jesus que dá força para enfrenta-las e vencê-las.
Pois bem, atualizando
esta Palavra e o mistério celebrado neste dia do Senhor, é necessário olhar
para a realidade e perceber quais os sinais que a Liturgia de hoje nos impele
para vivenciarmos no nosso dia a dia. Quando a antífona da entrada pede que se
afaste de nós tudo o que é nocivo, quando o Evangelho convida para direcionar o
olhar à vida humana, quando a Primeira Leitura convoca para guardar o Dia do
Senhor, estão interpelando a nós cristãos para unir fé e vida e, sobretudo,
valorizar aqueles e aquelas que estão sofrendo às margens da sociedade por
causa de um poder opressor que visa à saúde financeira e não a saúde humana e o
respeito pela valorização da fé.
Que atitude
devemos ter enquanto seres humanos presentes numa comunidade cristã? No mínimo
atitudes que afastam a opressão e agreguem a acolhida, o perdão e o respeito. O
que adianta ir à comunidade pedir que Deus afaste de nós o que é nocivo se
depois que sair da igreja pedir a intervenção militar? O que adiante pedir ser governado
pelo Espírito de Deus se lá fora é a favor do armamento? O que adianta ouvir
com atenção e piedade a Liturgia da Palavra se depois se fecha para os necessitados
e não abre o coração para o amor de Deus pensando só em si? O que adianta pedir vigor para proclamar a fé
em palavras e ações se no dia a dia não consegue vislumbrar ao lado o irmão que
passa por necessidade?
Chega de cristão
que olham para o céu pensando que Deus está somente lá. Chega de cristãos que
suplicam por um coração adorador olhando somente para o alto. O verdadeiro
coração adorador é aquele que, como Jesus, prima pelo bem estar do ser humano. A
Eucaristia não é alimento para ficar guardado no coração, mas é alimento para
ser vivenciado no dia a dia com atitudes que exprimam amor e fraternidade. Panos,
ornamentos, igrejas luxuosas não estão no coração do povo sofredor. Se somos
Igreja de Jesus Cristo precisamos ser Igreja simples e de coração humilde para
saber valorizar o outro, em suas diferenças, acolhendo-o e promovendo-o a vida,
convidando-o para vir ao meio, fazer parte da comunidade.
Portanto,
precisamos de uma Igreja, e aqui entende-se cristãs e cristãos, que ao olhar
para o céu, saiba também olhar para a terra, pois a verdadeira missão está no
viver a liturgia vivencial e não só a liturgia ritual, pois o rito nos
fortalece para a vivência.

Verdade Edmilton
ResponderExcluirParafraseando o Frei Betto "a cabeça fala de onde os pés pisam" eu não posso ser ao mesmo tempo ser cristão e pedir para armar a população, hora só porta armas quem tem intenção de matar. O cristão propõe o amor e não a morte, as duas vão entrar em conflito.