Evangelho – Mateus 6,1-6.16-18. O
Evangelho de hoje faz parte do grande Sermão da Montanha, narrado por Mateus
(5-7). Ele reúne sentenças de Jesus em um discurso inaugural, uma grande
didakhé. É o apelo que Jesus dirige a quem quer segui-lo; é o manifesto do
Messias Jesus, Salvador. Nele encontramos novas normas para seu seguimento, com
a recomendação de fazermos “brilhar a luz diante da humanidade, para que vendo
as obras, glorifiquem o Pai” (Mateus 5,16).
Na Palavra de
hoje, a recomendação é agir, porém não com a finalidade de ser aplaudido pelos
outros. A norma de ser luz fala da conseqüência da atitude de quem segue Jesus.
Hoje ouvimos a proposta de retorno a Deus, que propõe três ações básicas: a
oração, o jejum e a esmola. Nas palavras de Jesus, o mais importante não é o gesto
externo, e sim a atitude interior com a qual realizamos nossas ações.
Este Evangelho
toca num ponto fraco de nossa maneira de ser e viver: a tendência de “praticar
a justiça para sermos vistos...”. Assim, a oração é diálogo permanente com
Deus, a escuta profunda da sua Palavra e não mera exterioridade, com repetição
contínua de nossas próprias palavras. A oração nos ajuda a enxergar a realidade
com os “olhos” de Deus e nos abre a um compromisso fraterno e solidário com a
vida e a dignidade de todas as pessoas, vendo em todas elas a imagem de Jesus,
nosso irmão. Aqui a oração é pessoal, e não a oração comunitária
necessariamente pública, perante a assembléia. Os salmos falam da oração na
cama (cf. Salmo 4,5; 7,2-5), de súplicas de doentes (cf. Salmo 6,38). Jesus
fala da oração que ele mesmo praticou ao se retirar, à noite ou de madrugada,
para se encontrar com o Pai face a face, em particular, porque Deus não está
confinado no templo mas presente em toda parte. Não se deve converter a oração
em espetáculo. É estranho e mentiroso parecer que se louva a Deus para glória
própria.
O jejum, na
época de Jesus, podia ser voluntário ou prescrito. Podia ser público por causa
de alguma calamidade, conforme o profeta Joel, ou privado, acompanhando uma
súplica pessoal. Há o jejum ritual do dia da expiação que recebe a crítica e
indignação de Isaías. Para o profeta (cf. Isaias 58,1-7), o jejum consiste em
libertar os prisioneiros, acabar com a opressão, partilhar nossos bens com os
mais pobres e acolhê-los como irmãos. Isso exige de nós o jejum da
auto-suficiência, do desejo de dominar e de acumular, que nos distancia do
projeto de Deus, Jejum é a prática da Justiça.
A esmola é muito recomendada no Primeiro Testamento. O
livro de Provérbios 19,7 diz que “quem se compadece do pobre empresta ao
Senhor”. Jesus não fala dela, mas fala de “um copo de água” dado em seu nome e
de que seremos julgados pelo preceito capital do amor ao próximo. Os pequenos
são irmãos de Jesus e tudo que fizermos ao faminto, ao nu, ao sedento, ao peregrino...
Estaremos fazendo a ele. É mais que esmola. É amor fraterno, irmandade. Escrito por Pe Benedito Mazeti, Diocese de São José do Rio Preto.

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