terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

QUARTA FEIRA DE CINZAS - ORIENTAÇÕES LITÚRGICAS

ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A Cruz do Senhor deve permanecer em lugar de destaque durante toda a Quaresma.

2. Preparar com antecedência as cinzas, se possível com ramos secos usados no Domingo de Ramos do ano anterior, conforme é tradição da Igreja. Não é preciso que o rito de bênção e distribuição das cinzas seja unido à Missa; no entanto, pode ser realizado após a liturgia da Palavra, com textos bíblicos, orações e cânticos próprios do dia. Após a homilia, faz-se a bênção e a distribuição das cinzas. Termina-se com a oração dos fiéis e o Pai-Nosso. Outra boa alternativa é seguir o roteiro conforme o Ofício Divino das Comunidades.

3. Os cantos contribuem muito com a espiritualidade (mística) própria da Quaresma. Por isso, não basta deixar de cantar o Glória e o Aleluia. É preciso cuidar que o conteúdo dos cantos, seu ritmo e o uso dos instrumentos musicais sejam uma autentica expressão da Quaresma. O Hinário Litúrgico da CNBB, fascículo 2, oferece um rico repertório para a Quaresma.

4. O CD: da Campanha da Fraternidade 2015 trouxe um belíssimo repertório quaresmal. Não podemos deixar de utilizar o CD: Liturgia XIV, Quaresma Ano B e C, editado pela Paulus, com muitos cantos bíblicos.

5. Um bom ensaio dos cantos previstos para a celebração se faz necessário, para que ela transcorra em clima realmente orante e de fé. Após o ensaio de cantos uns momentos de silêncio e oração pessoal ajudam a criar um clima alegre e orante para a celebração.

6. Colocar o cartaz da Campanha da Fraternidade em lugares visíveis da Igreja. De preferência, não no presbitério.

7. O Ato penitencial é omitido nesta Missa, pois é substituído pelo rito da imposição das cinzas, que se dá após a homilia. É importante valorizar este rito em sua dimensão penitencial, na disposição à conversão. O Missal Romano sugere duas fórmulas de orações de bênção e duas exortações para o momento da imposição das cinzas. Escolher com antecedência as que são serão usadas na celebração.

8. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.

9. A homilia (conversa familiar) interpreta as leituras bíblicas a partir da realidade atual, tendo o mistério de Cristo como centro do anúncio e fazendo a ligação com a liturgia eucarística (dimensão mistagógica) e com a vida (compromisso e missão).
10. Na celebração de hoje da Quarta-Feira de Cinzas não se faz a Profissão de Fé.

            MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo da Quaresma, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia desta Quarta-Feira de Cinzas. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

1. Canto de abertura. Deus não despreza o criou: que ele tenha compaixão (Sabedoria 11,24-24.27). “Senhor, tende compaixão do vosso povo que acolhe a conversão”, CD: CF-2015, melodia da faixa 3. A Igreja também oferece outro canto muito propício para esta celebração das Cinzas: “Senhor, eis aqui o teu povo”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 1, Quaresma Ano A, ou Hinário Litúrgico II, página 296;

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia XIV, Quaresma Ano B e C.

2- Salmo responsorial 50/51. Deus restabelece em nós um coração puro. “Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós!”, CD: CF-2015, melodia da faixa 5.

3- Aclamação ao Santo Evangelho. Ouvir hoje a voz de Deus (Salmo 94/95,8). “Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus!”. Refrão articulado com o Salmo 94 que nos convoca a ouvir a voz de Deus no “hoje” da vida. CD: CF-2015, melodia da faixa 9.

4. Canto da imposição das cinzas. Durante este rito penitencial da imposição das cinzas sobre a cabeça, sugerimos que a assembléia cante “Pecador, agora é tempo”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 4 ou no Hinário Litúrgico II da CNBB, página 277. O rito termina com a oração dos fiéis.

5. Canto de apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. “O vosso coração de pedra”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 5 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 275;  Eis o tempo de conversão”, CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 6 ou no Hinário Litúrgico da CNBB II, pág. 217; “Aceita, Senhor, com prazer”, CD: CF-2015, melodia da faixa 10. Outra opção é ou o hino da Campanha da Fraternidade.

6. O canto do Santo. Um lembrete importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação imediata do Prefácio como o canto do Santo.

7. Canto de comunhão: Meditar a lei do Senhor dia e noite (Salmo 1,2-3). “Agora o tempo se cumpriu”, CD:CF-2015, melodia da faixa 11 ou CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 3. A Igreja também oferece mais duas opções para canto de comunhão: “Reconciliai-vos com Deus”, CD: CF-2011, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 290; “Quando invocar, eu atenderei”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 7 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 54.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho desta Quarta-Feira de Cinzas. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho.

            ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Se há um elemento, que, sem palavras, cumpre a função mistagógica, isto é, de conduzir para dentro do mistério celebrado, este é o Espaço Sagrado. Por isso, devemos dedicar-lhe todo o nosso cuidado.

2. Como tempo preparatório para a páscoa anual, a quaresma nos convida a uma intensa revisão de vida. Os elementos simbólicos festivos serão reservados. O espaço celebrativo expressa essa “reserva simbólica” através da retirada das flores, do despojamento e austeridade que convém a este tempo. Também a cor roxa da estola (ou casula) e das toalhas ajudará a sinalizar o tom penitencial característico desse tempo.

3. A cruz é elemento importante em qualquer tempo, mas na Quaresma é, sem dúvida, um sinal marcante da paixão de Cristo e da paixão do mundo. Para que esse sinal seja devidamente enfocado, sugerimos um incensário aos pés da cruz. As brasas sejam alimentadas de forma constante e discretamente, sem excessos.

4. Para o tempo quaresmal, já é de praxe, o uso da cor roxa nas vestes, velas e paramentos. Mas temos que ir além. Redescobrir, a cada vez, o sentido da chamada “reserva simbólica”: Durante este tempo (a quaresma) é proibido ornar o altar com flores, cantar o aleluia ou o hino de louvor, com exceção das solenidades e festas.

5. Isso nos ajuda a preparar o espaço celebrativo levando em conta o tempo quaresmal. O ambiente deve estar “despojado a austero”. Isso vale também para outros tempos litúrgicos. Devemos “fazer uma limpeza” de tudo o que é supérfluo no espaço celebrativo, como cartazes, folhagens, fitas, adornos, faixas, muitas imagens, etc. Os exageros de enfeites causam uma verdadeira “poluição visual”, e é preciso achar um lugar “para pousar o olhar e contemplar”. Por outro lado, devemos valorizar e destacar o que é realmente essencial para a celebração do Mistério de Cristo, isto é, o altar, a mesa da Palavra, a cadeira presidencial e a pia batismal. Durante a Quaresma outros símbolos fortes são importantes, como a cruz, a cor roxa e outros próprios para cada celebração.

6. A equipe procure caracterizar o ambiente e organizar toda a celebração dentro de uma certa sobriedade (cor roxa, sem flores, sem glória, sem aleluia e sem o canto de louvor a Deus após a comunhão. Isso não quer dizer que o ambiente seja de tristeza. A fé cristã une numa mesma celebração “a dor e a alegria, a luta e a festa”. Na Quaresma se retoma o silêncio, as celebrações são mais silenciosas, sóbrias, simples, austera. Não se enfeita o espaço celebrativo com flores. Os instrumentos apenas acompanham o canto. Não deve ter baterias e instrumentos de percussão fazendo aquele barulho como se fosse uma boate. É o silêncio que predomina. O espaço da celebração, a partir desta quarta-feira, deve ser organizado e permanecer por toda a Quaresma.

7. O cartaz da Campanha da Fraternidade e outras gravuras afins sejam colocados no mural ou noutro espaço cuja finalidade é informar os fiéis dos acontecimentos comunitários. Não é oportuno afixá-lo, por exemplo, na Mesa do Altar ou na Mesa da Palavra. Caso seja apresentado na procissão de abertura, ou na homilia, deve ser reconduzido a um lugar oportuno.

             AÇÃO RITUAL

“Convertei-vos, a mim que eu voltarei a vós”. Essa frase exprime, perfeitamente, o significado do caminho que, a partir de hoje, percorremos como comunidade pascal. Busquemos revigorar nosso Batismo, reconhecendo nossa fragilidade e suplicando o auxílio do Senhor para que saiamos da ignorância e recordemos: fomos mergulhados na morte e ressurreição do Senhor: “as coisas antigas já se passaram, fomos nascidos de novo”.

Se a celebração for à noite, iniciá-la com as luzes apagadas e em profundo silêncio. Se for conveniente, tocar um instrumento (atabaque, berimbau ou outro).

No início da celebração, criar um clima silencioso e orante, através de um refrão meditativo, como: “Misericórdia, Senhor misericórdia, misericórdia”.

Ritos Iniciais

1. Onde for possível, iniciar a celebração fora da Igreja, com um convite a toda a comunidade para que se apresente como penitente diante do Senhor que a convoca. Onde houver batismo na noite pascal, é importante acolher os candidatos aos sacramentos de iniciação.
2. Logo após o sinal da cruz, saudação e sentido litúrgico, o presidente ou animador convida a assembléia a recordar, silenciosamente, acontecimentos, fatos, situações que evocam nossa fragilidade e pequenez diante do grande mistério da vida.

Domingo do leproso curado. Com um dia de penitência, iniciamos o tempo da Quaresma e a preparação próxima para a Páscoa do Senhor. Intensificamos a oração, o jejum e a solidariedade como sinais de conversão e uma busca mais profunda do Deus da vida.

3. Aqui, pode-se trazer presente algumas situações do texto base da Campanha da Fraternidade 2015. Se a comunidade for pequena, pode-se fazer esta recordação com uma conversa de dois a dois.

4. Em seguida, o presidente da celebração conduz a comunidade ao silêncio e convida para que deponham seus “ramos secos” junto à cruz processional, trazendo na memória todos estes fatos que foram recordados, apresentando-os diante da Cruz do Senhor como situações que revelam a “sequidão”, o “pó” da nossa existência e a humanidade gananciosa que utiliza o ser humano para o tráfico.

5. Enquanto se dá esta ação ritual, canta-se o canto “O vosso coração de pedra se converterá”.

6. O presidente conclui a ação simbólica rezando a Oração do Dia que está no Missal Romano. Nesta oração suplicamos a Deus que a penitencia nos fortaleça e nos purifique.

Rito da Palavra

1. Convém caprichar o máximo na proclamação da Palavra de Deus (leituras, canto do salmo, evangelho). Proclamar de tal maneira que a assembléia sinta que é realmente Deus quem está falando para seu povo. Por isso, que tal fazer previamente um bom ensaio, e, mais que isso, uma verdadeira vivência da Palavra com os(as) leitores e o(a) cantor(a) do salmo responsorial? A Palavra merece, e a assembléia agradece!

2. Convém que o ministro, ao rezar a oração de bênção sobre as cinzas, o faça pausadamente, com unção, dando ênfase às frases e às palavras mais importantes. Esta oração tem riquíssimo conteúdo e forte tom evangelizador. A boa proclamação vai ajudar os fiéis a vivenciarem melhor o espírito penitencial do rito.

3. Convém que haja cinzas em abundância e que sejam esparsas abundantemente sobre a cabeça dos fiéis.

4. Quem recebe as cinzas, em sinal de compromisso faz uma inclinação diante da Cruz. As cinzas que sobrarem podem ser trazidas juntamente com as oferendas e, no final da celebração, levadas aos doentes e pessoas impossibilitadas de participar.

Rito da Eucaristia

3. Na Oração sobre as oferendas pedimos a Deus que Ele ajude-nos a dominar os maus desejos pela penitência e pela caridade.
            4. O Prefácio I da Quaresma faz referência direta ao Evangelho ao citar a oração e a prática do amor fraterno, como preparação pra a Páscoa. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio.
           
5. Sugerimos celebrar a eucaristia com a Oração Eucarística VII (ou: Sobre a Reconciliação I). Ou também com a Oração Eucarística II, com o Prefácio II ou III da Quaresma (muito sugestivos!).

Ritos finais

1. Na Oração depois da comunhão, ajudados pelo sacramento da Eucaristia, suplicamos a Deus que o nosso jejum seja agradável a Deus e útil para nós.

2. Bênção solene, para todo o povo, como sugere o Missal Romano, página 521 ou também a oração sobre o povo, número 6, página 531:

Ó Deus, fazei que o vosso povo se volte para vós de todo o coração, pois se protegeis mesmo quando erra, com mais amor o guardais quando vos serve.

3. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita”. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”

            REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO


O Tempo da Quaresma tem como objetivo preparar a celebração da Páscoa; a liturgia quaresmal, com efeito, dispõe para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, pelos diversos graus de iniciação cristã, como os fiéis, pela comemoração do batismo e penitência (IGMR, nº 27, página 105, Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário).


Escrito por Pe Benedito Mazeti, Diocese de São José do Rio Preto. 

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