2. Preparar
com antecedência as cinzas, se possível com ramos secos usados no Domingo de
Ramos do ano anterior, conforme é tradição da Igreja. Não é preciso que o rito
de bênção e distribuição das cinzas seja unido à Missa; no entanto, pode ser
realizado após a liturgia da Palavra, com textos bíblicos, orações e cânticos
próprios do dia. Após a homilia, faz-se a bênção e a distribuição das cinzas.
Termina-se com a oração dos fiéis e o Pai-Nosso. Outra boa alternativa é seguir
o roteiro conforme o Ofício Divino das Comunidades.
3. Os cantos
contribuem muito com a espiritualidade (mística) própria da Quaresma. Por isso,
não basta deixar de cantar o Glória e o Aleluia. É preciso cuidar que o
conteúdo dos cantos, seu ritmo e o uso dos instrumentos musicais sejam uma
autentica expressão da Quaresma. O Hinário Litúrgico da CNBB, fascículo 2, oferece
um rico repertório para a Quaresma.
4. O CD: da
Campanha da Fraternidade 2015 trouxe um belíssimo repertório quaresmal. Não
podemos deixar de utilizar o CD: Liturgia XIV, Quaresma Ano B e C, editado pela
Paulus, com muitos cantos bíblicos.
5. Um bom
ensaio dos cantos previstos para a celebração se faz necessário, para que ela
transcorra em clima realmente orante e de fé. Após o ensaio de cantos uns
momentos de silêncio e oração pessoal ajudam a criar um clima alegre e orante
para a celebração.
6. Colocar o
cartaz da Campanha da Fraternidade em lugares visíveis da Igreja. De
preferência, não no presbitério.
7. O Ato
penitencial é omitido nesta Missa, pois é substituído pelo rito da imposição
das cinzas, que se dá após a homilia. É importante valorizar este rito em sua
dimensão penitencial, na disposição à conversão. O Missal Romano sugere duas
fórmulas de orações de bênção e duas exortações para o momento da imposição das
cinzas. Escolher com antecedência as que são serão usadas na celebração.
8. Em todo o
rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as
leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O
silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração
da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.
9. A homilia
(conversa familiar) interpreta as leituras bíblicas a partir da realidade
atual, tendo o mistério de Cristo como centro do anúncio e fazendo a ligação
com a liturgia eucarística (dimensão mistagógica) e com a vida (compromisso e
missão).
10. Na
celebração de hoje da Quarta-Feira de Cinzas não se faz a Profissão de Fé.
MÚSICA RITUAL
O canto é
parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para
animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas,
executados com atitude espiritual e,
condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério
celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo da Quaresma,
é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser
cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério
celebrado. A função da equipe de canto não é
simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia desta
Quarta-Feira de Cinzas. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico,
com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que
toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de
uma pastoral ou de um movimento.
A equipe de
canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da
assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige
ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se
colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a
presidência e para a Mesa da Palavra.
1. Canto de abertura. Deus não
despreza o criou: que ele tenha compaixão (Sabedoria 11,24-24.27). “Senhor, tende
compaixão do vosso povo que acolhe a conversão”, CD: CF-2015, melodia da faixa
3. A Igreja também oferece outro canto muito propício para esta celebração das
Cinzas: “Senhor, eis aqui o teu povo”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 1,
Quaresma Ano A, ou Hinário Litúrgico II, página 296;
Ensina a
Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além
de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse
sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão
gravados no CD: Liturgia XIV, Quaresma Ano B e C.
2- Salmo responsorial 50/51. Deus
restabelece em nós um coração puro. “Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois
pecamos contra vós!”, CD: CF-2015, melodia da faixa 5.
3- Aclamação ao Santo Evangelho. Ouvir
hoje a voz de Deus (Salmo 94/95,8). “Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus!”.
Refrão articulado com o Salmo 94 que nos convoca a ouvir a voz de Deus no
“hoje” da vida. CD: CF-2015, melodia da faixa 9.
4. Canto da imposição das cinzas.
Durante este rito penitencial da imposição das cinzas sobre a cabeça, sugerimos
que a assembléia cante “Pecador, agora é tempo”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa
4 ou no Hinário Litúrgico II da CNBB, página 277. O rito termina com a oração
dos fiéis.
5. Canto de apresentação dos dons.
O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões,
não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra
acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. “O vosso coração de
pedra”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 5 ou Hinário Litúrgico II da CNBB,
página 275; Eis o tempo de conversão”,
CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 6 ou no Hinário Litúrgico da CNBB II, pág.
217; “Aceita, Senhor, com prazer”, CD: CF-2015, melodia da faixa 10. Outra
opção é ou o hino da Campanha da Fraternidade.
6. O canto do Santo. Um lembrete
importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do
diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração
termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste
momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação
imediata do Prefácio como o canto do Santo.
7. Canto de comunhão: Meditar a
lei do Senhor dia e noite (Salmo 1,2-3). “Agora o tempo se cumpriu”, CD:CF-2015,
melodia da faixa 11 ou CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 3. A Igreja também
oferece mais duas opções para canto de comunhão: “Reconciliai-vos com Deus”, CD:
CF-2011, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 290; “Quando
invocar, eu atenderei”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 7 ou Hinário
Litúrgico II da CNBB, página 54.
O canto de
comunhão deve retomar o sentido do Evangelho desta Quarta-Feira de Cinzas. Esta
é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho
nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual
o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes
conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto
significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho
proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o
comungamos no pão e no vinho.
ESPAÇO CELEBRATIVO
1. Se há um
elemento, que, sem palavras, cumpre a função mistagógica, isto é, de conduzir
para dentro do mistério celebrado, este é o Espaço Sagrado. Por isso, devemos
dedicar-lhe todo o nosso cuidado.
2. Como tempo
preparatório para a páscoa anual, a quaresma nos convida a uma intensa revisão
de vida. Os elementos simbólicos festivos serão reservados. O espaço
celebrativo expressa essa “reserva simbólica” através da retirada das flores,
do despojamento e austeridade que convém a este tempo. Também a cor roxa da
estola (ou casula) e das toalhas ajudará a sinalizar o tom penitencial
característico desse tempo.
4. Para o
tempo quaresmal, já é de praxe, o uso da cor roxa nas vestes, velas e
paramentos. Mas temos que ir além. Redescobrir, a cada vez, o sentido da
chamada “reserva simbólica”: Durante este tempo (a quaresma) é proibido ornar o
altar com flores, cantar o aleluia ou o hino de louvor, com exceção das
solenidades e festas.
5. Isso nos
ajuda a preparar o espaço celebrativo levando em conta o tempo quaresmal. O
ambiente deve estar “despojado a austero”. Isso vale também para outros tempos
litúrgicos. Devemos “fazer uma limpeza” de tudo o que é supérfluo no espaço celebrativo,
como cartazes, folhagens, fitas, adornos, faixas, muitas imagens, etc. Os
exageros de enfeites causam uma verdadeira “poluição visual”, e é preciso achar
um lugar “para pousar o olhar e
contemplar”. Por outro lado, devemos valorizar e destacar o que é realmente
essencial para a celebração do Mistério de Cristo, isto é, o altar, a mesa da
Palavra, a cadeira presidencial e a pia batismal. Durante a Quaresma outros
símbolos fortes são importantes, como a cruz, a cor roxa e outros próprios para
cada celebração.
7. O cartaz da
Campanha da Fraternidade e outras gravuras afins sejam colocados no mural ou
noutro espaço cuja finalidade é informar os fiéis dos acontecimentos
comunitários. Não é oportuno afixá-lo, por exemplo, na Mesa do Altar ou na Mesa
da Palavra. Caso seja apresentado na procissão de abertura, ou na homilia, deve
ser reconduzido a um lugar oportuno.
AÇÃO RITUAL
“Convertei-vos,
a mim que eu voltarei a vós”. Essa frase exprime, perfeitamente, o significado
do caminho que, a partir de hoje, percorremos como comunidade pascal. Busquemos
revigorar nosso Batismo, reconhecendo nossa fragilidade e suplicando o auxílio
do Senhor para que saiamos da ignorância e recordemos: fomos mergulhados na
morte e ressurreição do Senhor: “as coisas antigas já se passaram, fomos
nascidos de novo”.
Se a
celebração for à noite, iniciá-la com as luzes apagadas e em profundo silêncio.
Se for conveniente, tocar um instrumento (atabaque, berimbau ou outro).
No início da
celebração, criar um clima silencioso e orante, através de um refrão
meditativo, como: “Misericórdia, Senhor misericórdia, misericórdia”.
Ritos Iniciais
1. Onde for
possível, iniciar a celebração fora da Igreja, com um convite a toda a
comunidade para que se apresente como penitente diante do Senhor que a convoca.
Onde houver batismo na noite pascal, é importante acolher os candidatos aos
sacramentos de iniciação.
2. Logo após o
sinal da cruz, saudação e sentido litúrgico, o presidente ou animador convida a
assembléia a recordar, silenciosamente, acontecimentos, fatos, situações que
evocam nossa fragilidade e pequenez diante do grande mistério da vida.
Domingo do leproso curado. Com um dia de
penitência, iniciamos o tempo da Quaresma e a preparação próxima para a Páscoa
do Senhor. Intensificamos a oração, o jejum e a solidariedade como sinais de
conversão e uma busca mais profunda do Deus da vida.
3. Aqui,
pode-se trazer presente algumas situações do texto base da Campanha da
Fraternidade 2015. Se a comunidade for pequena, pode-se fazer esta recordação
com uma conversa de dois a dois.
4. Em seguida,
o presidente da celebração conduz a comunidade ao silêncio e convida para que
deponham seus “ramos secos” junto à cruz processional, trazendo na memória
todos estes fatos que foram recordados, apresentando-os diante da Cruz do
Senhor como situações que revelam a “sequidão”, o “pó” da nossa existência e a
humanidade gananciosa que utiliza o ser humano para o tráfico.
5. Enquanto se
dá esta ação ritual, canta-se o canto “O vosso coração de pedra se converterá”.
6. O
presidente conclui a ação simbólica rezando a Oração do Dia que está no Missal
Romano. Nesta oração suplicamos a Deus que a penitencia nos fortaleça e nos
purifique.
Rito da Palavra
1. Convém
caprichar o máximo na proclamação da Palavra de Deus (leituras, canto do salmo,
evangelho). Proclamar de tal maneira que a assembléia sinta que é realmente
Deus quem está falando para seu povo. Por isso, que tal fazer previamente um
bom ensaio, e, mais que isso, uma verdadeira vivência da Palavra com os(as)
leitores e o(a) cantor(a) do salmo responsorial? A Palavra merece, e a
assembléia agradece!
2. Convém que
o ministro, ao rezar a oração de bênção sobre as cinzas, o faça pausadamente,
com unção, dando ênfase às frases e às palavras mais importantes. Esta oração tem
riquíssimo conteúdo e forte tom evangelizador. A boa proclamação vai ajudar os
fiéis a vivenciarem melhor o espírito penitencial do rito.
3. Convém que
haja cinzas em abundância e que sejam esparsas abundantemente sobre a cabeça
dos fiéis.
4. Quem recebe
as cinzas, em sinal de compromisso faz uma inclinação diante da Cruz. As cinzas
que sobrarem podem ser trazidas juntamente com as oferendas e, no final da
celebração, levadas aos doentes e pessoas impossibilitadas de participar.
Rito da Eucaristia
3. Na Oração
sobre as oferendas pedimos a Deus que Ele ajude-nos a dominar os maus desejos
pela penitência e pela caridade.
4.
O Prefácio I da Quaresma faz referência direta ao Evangelho ao citar a oração e
a prática do amor fraterno, como preparação pra a Páscoa. Usando este prefácio,
o presidente deve escolher a I ou a III Oração Eucarística. A II admite troca
de prefácio.
5. Sugerimos
celebrar a eucaristia com a Oração Eucarística VII (ou: Sobre a Reconciliação
I). Ou também com a Oração Eucarística II, com o Prefácio II ou III da Quaresma
(muito sugestivos!).
Ritos finais
1. Na Oração
depois da comunhão, ajudados pelo sacramento da Eucaristia, suplicamos a Deus
que o nosso jejum seja agradável a Deus e útil para nós.
2. Bênção
solene, para todo o povo, como sugere o Missal Romano, página 521 ou também a
oração sobre o povo, número 6, página 531:
Ó Deus, fazei que o vosso povo se volte para
vós de todo o coração, pois se protegeis mesmo quando erra, com mais amor o
guardais quando vos serve.
3. As palavras
do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Que a
tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita”. Ide em paz e o Senhor
vos acompanhe!”
REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO
O Tempo da
Quaresma tem como objetivo preparar a celebração da Páscoa; a liturgia
quaresmal, com efeito, dispõe para a celebração do mistério pascal tanto os
catecúmenos, pelos diversos graus de iniciação cristã, como os fiéis, pela
comemoração do batismo e penitência (IGMR, nº 27, página 105, Normas Universais
sobre o Ano Litúrgico e o Calendário).
Escrito por Pe Benedito Mazeti, Diocese de São José do Rio Preto.
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