O que vamos cantar hoje na
missa?
Esta é uma pergunta feita pelas
nossas equipes de música quando se preparam para escolher os cantos para a celebração
que será cantada por elas. Neste estudo, mesmo que de forma breve, algumas
orientações para a escolha correta dos cantos, tomando como base o tempo litúrgico
que estamos vivendo, isto é, o Tempo Pascal.
Primeiramente vale salientar que
as equipes de música não irão cantar na
missa e sim cantar a missa. Porque
está diferença? Cantar na significa cantar para. Quer dizer, fazer uma
apresentação. Canta a significa cantar junto com alguém. Neste caso, cantar a missa quer expressar que
juntos, presidente, equipe de liturgia e celebração e povo de Deus reunido,
cantam a oração do na forma poética da letra e da melodia da música litúrgica entoada
para aquele momento da celebração. Por isso que não cantamos na missa e sim cantamos
a missa.
Seguindo nosso estudo é
necessário buscar a reposta da pergunta que introduz este texto: o que vamos
cantar? Como estamos falando do canto da equipe de cantos vamos listar somente
os cantos do povo, entoados pelas equipes que conduzem o mesmo. Antes, porém,
de adentrar na sequencia dos cantos, faz-se necessário introduzir o tempo litúrgico
Pascal, para se ter uma ideia do que cantar neste momento do Ano Litúrgico.
Durante o Tempo Pascal cantamos a
Ressurreição de Jesus Cristo. A experiência humana de Jesus na morte, causada
pelos poderes opressores e por sua experiência de abandono, não é para sempre,
mas para remeter a humanidade à graça de também experimentar a Ressurreição.
Nesse tempo o canto expressa a alegria da Ressurreição do Senhor, que também é
ressurreição da humanidade.
E agora? Como é a estrutura
dos cantos?
Pois bem, temos os cantos processionais,
isto é, aqueles que acompanham os momentos de procissão na celebração. São eles:
abertura, oferendas, comunhão e final, quando este é cantado na saída do povo.
Existe também o canto de aclamação quando se faz a procissão com o Evangeliário
do Altar até a Mesa da Palavra. Caso não seja feita a procissão o canto de
aclamação entra em outra categoria: aclamações. Estes cantos mudam conforme o
Tempo Litúrgico e a Liturgia da Palavra. Geralmente as estrofes permanecem as
mesmas apenas o refrão que é outro, porém na mesma melodia.
Os cantos fixos ou do ordinário
são os cantos do Ato Penitencial, Hino de Louvor, Creio, Santo, Pai-Nosso e
Cordeiro de Deus. Estes cantos tem a mesma letra do texto rezado.
Equivocadamente, principalmente o Hino de Louvor, é apresentado numa aclamação
trinitária confundindo com a oração do Glória ao Pai, Ao Filho e ao Espírito
Santo. Esta oração quer dizer o seguinte: O Pai, gerador do Filho, transmite-lhe
toda a sua natureza e vida Divina. O Filho, por sua vez, abandona-se totalmente
ao Pai através de seu amor. O Espírito Santo deriva do amor recíproco entre o
Pai e o Filho. Assim sendo, aportamos também àquela que é a missão da
Santíssima Trindade: o Pai cria, o Filho salva e o Espírito Santo santifica. No
Hino de Louvor está a exaltação a Jesus Cristo como Rei do Universo e Salvador
da humanidade, por isso que todo a canto faz menção a segunda Pessoa da
Santíssima Trindade elucidando assim uma exaltação cristológica e não
trinitária. Para os demais cantos do ordinário a dica é escolher cantos que
possuem a mesma letra, ou letra parecida com a letra do texto rezado. Como saber
se o canto é litúrgico ou não no caso das partes fixas? A resposta é simples:
se a letra fugir totalmente do texto rezado não é considerado canto apropriado
para estas partes da celebração. No entanto fica a pergunta: mas, se só
dispomos dos cantos com aclamação trinitária? Pode ser rezado ou cantado, desde
que se procure aprender e buscar os cantos com as letras próprias.
Ainda temos, durante a
celebração, o canto do Salmo Reponsorial. Este canto deve ser cantado na Mesa
da Palavra, pois faz parte da Liturgia da Palavra. Por circunstâncias pastorais
poderá ser cantado no local que está a equipe de cantos. Por isso, para
facilitar o acesso com o instrumento, seria melhor que a equipe de cantos
ficasse próximo da mesa da Palavra. O canto do Salmo expressa a espiritualidade
bíblica do louvar ao Senhor por meio da expressão poética. É o povo que canta
as maravilhas de Deus presente na sua misericórdia, criação e ação em favor do
povo. Não existe canto de meditação, pois o Salmo sempre está de acordo com a
Primeira Leitura.
Ainda temos durante a
liturgia cristã, várias aclamações. Uma delas é a Aclamação ao Evangelho. É uma
introdução, preparando a assembleia para o que será proclamado. É um canto
breve sempre com um refrão do Aleluia e com o versículo indicado no Lecionário
antes do Evangelho. Durante o Ano Litúrgico, o único tempo que não se canta o
Aleluia é o tempo da Quaresma, para se cantar solenemente na Vigília Pascal. No
Advento é um Aleluia mais suave, sem tom de festividade reservada para a
Celebração do Natal.
Para concluir vale lembrar a
importância de tirar um tempo para ensaiar os cantos a serem cantados durante a
celebração. Quando se tem ensaio é possível corrigir os erros e acertar melhor
no canto. Não quer dizer que não aconteça durante a celebração, mas a possibilidade
de errar diminui bastante. Cantar a Liturgia é cantar a presença do Senhor no
elo entre oração e canto aprofundando a mistagogia da espiritualidade mistérica
celebrada naquele dia. Sendo assim é importante que canto e liturgia estejam
convergindo e não divergindo. É necessário a unidade entre os dois para não
correr o risco de o canto ir numa direção e a liturgia para outra. Escolher os
cantos e ensaiar com antecedência é sinal de compromisso com Deus, com a
Liturgia e com a comunidade. Quanto melhor cantada a liturgia melhor rezada
será em toda sua unidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Mutirão: subsídios para a formação. Brasília, edições CNBB. 2007.
SACROSANTUM CONCILIUM. In: Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano
II. São Paulo: Paulus, 2001.
* Postulante dos
Missionários da Sagrada Família. Formado em Filosofia pela Faculdade Pe João
Bagozzi de Curitiba PR e Teologia (em fase de Conclusão) pelos Institutos Santo
Tomás de Aquino de Belo Horizonte – MG e São Paulo de Estudos Superiores de São
Paulo – SP.
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