Edemilton
dos Santos
A proposta da
Campanha da Fraternidade para este ano de 2018 é refletir sobre um tema que
está preocupando muito uma parcela do povo brasileiro, a violência. Digo
parcela, pois se dizer o povo inclui também os nossos governantes, que na
maioria das vezes, e, diga-se de passagem, uma grande parte deles estão envolvidos
em algum tipo de violência.
O hino proposto
para este tema nos leva a um processo mistagógico da superação da violência e
entrar para um mundo de paz. Este texto quer refletir sobre os caminhos
apresentados pelo hino para ir ao encontro de superar a violência e abraçar a paz.
E todo este processo se faz em nome de Jesus Cristo nosso Senhor.
O primeiro ato
que o hino chama a atenção é para o tempo litúrgico que estamos vivendo: o
tempo quaresmal. Em seguida faz uma súplica ao Deus da vida apresentando a
mensagem da mesma: superar a violência. Depois deste desenho apresenta onde está
a raiz de todo o mal: “ o íntimo que não sabe amar”. Quando se fala em íntimo
se fala de onde está o centro dos sentimentos humanos, o coração. Esta
expressão é muito forte e relembra as palavras do próprio Jesus: “a boca
expressa o que o coração está cheio” (Cf Mt 12,24). E só quem não sabe amar é
que cai nas armadilhas da violência.
O refrão do hino
tem uma voz profética muito comprometedora para nós cristãos: convoca aos
seguidores de Cristo a viver a fraternidade que é superar a violência, derramar
perdão ser fermento de fraternidade, pois só assim estaremos seguindo os passos
de Jesus que nos diz que somos todos irmãos. Depois de cantar este refrão se
chega a perceber a difícil missão que se tem pela frente: ser sinal de perdão e
amor em um mundo marcado pela violência. Será que damos conta ou vamos ser
cristãos de sacristia?
A segunda
estrofe nos diz que é preciso plantar a paz que terá como consequência a não-violência.
E este é o compromisso de todo o cristão. Chega de violência, chega de
corrupção, chega de vidas corrompidas desfazendo a criação, é a súplica
dolorosa feita na terceira estrofe. O que o mundo espera é o novo acontecendo
no meio do povo. O novo da paz e da harmonia e não da ganância. Só assim o
Reino de paz e justiça acontecerá e a humanidade se sentará na roda da
fraternidade, é o desejo da quinta estrofe. E, por fim, aseta estrofe,
apresenta a misericórdia da Igreja que acolhe e perdoa quem percebe que errou e
toma consciência do seu erro. O Sacramento da Reconciliação com Deus, com os irmãos
e com a natureza.
Diante desta
proposta mistagógica fica a expressão que não quer se calar: um mundo que quer
destruir os pequenos e pobres do Reino e da sociedade, vai conseguir superar a violência?
Uma Igreja em que os seus membros são capazes de defender atos de violência,
mesmo sem se dar conta, vai conseguir superar a violência? Eis um tema que mexe
com o profundo âmago do ser humano e convidada a uma atitude de conversão, pois
a violência não se pratica somente com armas e gestos, se pratica com a língua
também quando difama o seu irmão.
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