segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A MENSAGEM DO HINO DA CF 2018: CAMINHO MISTAGÓGICO PARA O AMOR


Edemilton dos Santos

A proposta da Campanha da Fraternidade para este ano de 2018 é refletir sobre um tema que está preocupando muito uma parcela do povo brasileiro, a violência. Digo parcela, pois se dizer o povo inclui também os nossos governantes, que na maioria das vezes, e, diga-se de passagem, uma grande parte deles estão envolvidos em algum tipo de violência.

O hino proposto para este tema nos leva a um processo mistagógico da superação da violência e entrar para um mundo de paz. Este texto quer refletir sobre os caminhos apresentados pelo hino para ir ao encontro de superar a violência e abraçar a paz. E todo este processo se faz em nome de Jesus Cristo nosso Senhor.

O primeiro ato que o hino chama a atenção é para o tempo litúrgico que estamos vivendo: o tempo quaresmal. Em seguida faz uma súplica ao Deus da vida apresentando a mensagem da mesma: superar a violência. Depois deste desenho apresenta onde está a raiz de todo o mal: “ o íntimo que não sabe amar”. Quando se fala em íntimo se fala de onde está o centro dos sentimentos humanos, o coração. Esta expressão é muito forte e relembra as palavras do próprio Jesus: “a boca expressa o que o coração está cheio” (Cf Mt 12,24). E só quem não sabe amar é que cai nas armadilhas da violência.

O refrão do hino tem uma voz profética muito comprometedora para nós cristãos: convoca aos seguidores de Cristo a viver a fraternidade que é superar a violência, derramar perdão ser fermento de fraternidade, pois só assim estaremos seguindo os passos de Jesus que nos diz que somos todos irmãos. Depois de cantar este refrão se chega a perceber a difícil missão que se tem pela frente: ser sinal de perdão e amor em um mundo marcado pela violência. Será que damos conta ou vamos ser cristãos de sacristia?

A segunda estrofe nos diz que é preciso plantar a paz que terá como consequência a não-violência. E este é o compromisso de todo o cristão. Chega de violência, chega de corrupção, chega de vidas corrompidas desfazendo a criação, é a súplica dolorosa feita na terceira estrofe. O que o mundo espera é o novo acontecendo no meio do povo. O novo da paz e da harmonia e não da ganância. Só assim o Reino de paz e justiça acontecerá e a humanidade se sentará na roda da fraternidade, é o desejo da quinta estrofe. E, por fim, aseta estrofe, apresenta a misericórdia da Igreja que acolhe e perdoa quem percebe que errou e toma consciência do seu erro. O Sacramento da Reconciliação com Deus, com os irmãos e com a natureza.

Diante desta proposta mistagógica fica a expressão que não quer se calar: um mundo que quer destruir os pequenos e pobres do Reino e da sociedade, vai conseguir superar a violência? Uma Igreja em que os seus membros são capazes de defender atos de violência, mesmo sem se dar conta, vai conseguir superar a violência? Eis um tema que mexe com o profundo âmago do ser humano e convidada a uma atitude de conversão, pois a violência não se pratica somente com armas e gestos, se pratica com a língua também quando difama o seu irmão.

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